Foi em Abril que floresceram os cravos da liberdade ou não estivéssemos em tempo de primavera, em que, aliás, os perfumes das flores campestres dilatavam simulacros de mudança. Nesta conjuntura, onde o sentimento do medo proliferava, eis que deu à estampa uma revolução que fora marcada pela serenidade e que outorgou a liberdade de um povo que pela calada da noite se deparou com aquele que fora o 25 de Abril de 1974. A população, classificada como classe pobre ou até mesmo grande parte da camada média, vivia com a alegria o fim de uma ditadura imposta pelas ecuménicas leis de um Estado Novo que assumia, indiscriminadamente, os mandatos da sua insípida gerência governamental. As três frentes de guerra – Angola, Moçambique e Guiné –, por onde passaram cerca de um milhão de combatentes e de que terão resultado 8831 mortos, cerca de 30 mil evacuações e perto de 100 mil feridos, assumiam-se como peso pesado para um regime que espalhava uma inflexível autoridade pelo mais inóspito lugar desta pátria lusitana. Sabe-se, principalmente, o pessoal de maior idade, que a dimensão desportiva era, na altura, ténue e as infraestruturas adaptadas às vãs circunstâncias existentes. Numa panóplia de acontecimentos observados por um povo em que a ditadura determinava severas legislações, reconheça-se que as audácias dos capitães de Abril permitiram acabar com um “império” absoluto que originou o franquear de portas a pessoas que viviam encurraladas entre assimétricos muros. O Alentejo não fugiu às impiedosas normas vigentes, sendo certo que o fenómeno desportivo não passou isento a essas obscurecidas máculas. Somos de um tempo em que as condições para a prática das modalidades impunham limitações e os espaços, obsoletos, ditavam genuínos percalços. Os campos de futebol, por exemplo, eram usualmente pelados, assim como a fragilidade dos lugares-comuns onde a rapaziada debitava imaculados prazeres atléticos que, naturalmente, acarretavam canseiras a jovens em plena idade de afirmação desportiva. É inevitável afirmar que a liberdade de Abril trouxe uma maior justeza a um cosmos desportivo que derrubou fronteiras e se colocou na linha da frente como uma justa causa que ousou conquistar uma infindável quantidade de atletas. Aqui, afirmar-lhes-emos, com a devida inflexibilidade, que as autarquias não abdicaram da sua afirmação e eis o poder local ao serviço de gentes, em que o mundo desportivo galgou fronteiras e se estabeleceram parâmetros dos quais resultaram a diversidade de modalidades que o povo aplaudiu. Olhemos para o nosso distrito e examinemos os espaços desportivos que servem agora populações que antigamente não desfrutavam desses percetíveis espaços. Cidades, vilas e aldeias, de entre outros recônditos lugares existentes nesta imensa planície, usufruem hoje de excelentes infraestruturas que facultam um exercício atlético salutar para uma multidão de atletas que, independentemente da idade que o seu cartão de cidadão revela, são pessoas que gozam das possibilidades para uma saudável prática desportiva. Campos relvados, pistas de atletismo, algumas com piso sintético, pavilhões bem equipados e multidisciplinares, piscinas, de entre outras condições sobejamente conhecidas, são conquistas que Abril garantiu aos seus cidadãos.