Diário do Alentejo

A sociologia do desporto alentejano  de outros tempos
Opinião

A sociologia do desporto alentejano de outros tempos

José Saúde

12 de abril 2026 - 08:00

Perdido nas brumas do tempo, eis que as células vivas do meu instrumento cerebral recordam os períodos áureos de um Alentejo que marcava pontos desportivos nas competições nacionais. Debruço-me sobre um contexto no qual a sociologia do desporto alentejano de outros tempos fora colossal. Revejo, por ora, com uma profunda nostalgia, o profícuo empolgar que as cidades transtaganas das décadas de 1940, 1950 e 1960, designadamente, século passado, trouxeram para um plano público que deu brados numa parada lusa onde nos campeonatos nacionais do futebol registou numerosos êxitos. Cito Beja, Évora, Elvas e Portalegre, urbes existentes nesses já recuados tempos, embora se reconheça, como é óbvio e sendo de todo aceitável, outros lugares nos quais o fenómeno futebolístico primou pela qualidade e de onde nasceram excelentes craques. Nesta oportunidade, enquadro o escrito nas décadas atrás referidas, relembrando os clubes que deram razão de ser a este meu sintético texto: Despertar Sporting Clube, de Beja, fundado em 24 de junho de 1920; Clube Desportivo de Beja, fundado em 24 de setembro de 1947; Lusitano Ginásio Clube, de Évora, fundado em 11 de novembro de 1911; Juventude Sport Clube, de Évora, fundado em 5 de dezembro de 1918; Futebol Clube os Elvenses, fundado a 15 de fevereiro de 1924; “O Elvas” Clube Alentejano de Desportos, fundado em 15 de agosto de 1947; Sport Clube Estrela de Portalegre, fundado em 23 de setembro de 1911; e, por fim, o Clube Desportivo Portalegrense, fundado em 26 de julho de 1925. Ora bem, neste imenso solo alentejano, aquele que fora tantas vezes suprimido num contexto nacional, a realidade diz-nos que no Alentejo nasceram admiráveis “estrelas” que defenderam com amor e arte a defesa de uma modalidade que cruzou surpreendentes fronteiras. Lembro que na vila de Serpa o clube local sagrou-se campeão nacional da III divisão, época 1956/1957, ou no lugar da Mina de São Domingos em que o emblema fez história nesta pátria de Camões. Mas, em termos de cidades, razão da minha “Bola de Trapos”, o Lusitano de Évora militou várias épocas na I divisão nacional, ou “O Elvas”, sendo que ambos pisaram relvados de autenticados clubes nacionais. Ou de outros, que atrás nomeio, que militaram épocas consecutivas na segunda divisão nacional. Era o tempo em que a magia do futebol ocupava o público de elevados prazeres. Os estádios, ou os campos, enchiam-se de gentes que não perdiam pitada de uma jogatana que lhes preenchia por completo a alma de intensos prazeres. Tempos áureos em que os adeptos entravam em delírios, provocando, às vezes, pequenas incompatibilizações com o evoluir do jogo, sendo que no final se juntavam e restauravam as suas já velhas amizades. Em redor de uma mesa o entretenimento assumia contornos diferentes, visto que ali prevalecia o manjar de petiscos que as gentes anfitriãs faziam questão em apresentar aos visitantes. Todavia, a sociologia do desporto alentejano submeteu-se a uma cristalina ausência de nuances, sendo que no presente o futebol dos mais novos é, sem hesitação alguma, uma aposta ganha.   

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