Diz-nos a biografia do Clube Recreativo e Desportivo Cabeça Gorda, agremiação fundada a 22 de março de 1976, que comemorou no passado domingo meio século de existência: no seu historial ficou registado uma brilhante proeza quando na época de 1980/1981 disputava, como equipa estreante no Campeonato Nacional da III Divisão, um jogo que contou para uma eliminatória da Taça de Portugal, sendo que esse encontro entre “David e Golias” se disputou no estádio municipal Dr. Flávio dos Santos, em Beja, e donde resultou a eliminação do potencial Penafiel, formação da I Divisão lusitana, treinada pelo conhecidíssimo António Oliveira, que assumia o papel de jogador, mas que nem sequer se equipou, pensando que tudo eram “favas contadas”. É óbvio que tamanha proeza elevou bem alto o feito dos rapazes do popular “Ferróbico”, sendo eles os grandes obreiros para a comunicação social que fez do acontecimento esplêndidas manchetes nos jornais nacionais, sendo os nomes dos jogadores falados pelo mundo. O solitário golo foi da autoria de Pepe que, à entrada da área, desferiu um potente remate à baliza penafidelense, deixando o público incrédulo, visto que houve muita gente que nem viu a bola entrar na baliza, já que a força do remate levou o esférico a esbarrar, com estrondo, na parte metálica que segurava as redes, tendo a redondinha regressado, de pronto, para o retângulo de jogo. Para memória futura aqui ficam registados alguns dos nomes desses inesquecíveis heróis que perfaziam o grupo de trabalho: Luís Prazeres, Rosa, Chana, João Rodeia, Quim Rodeia, Góis, Cacito, Guerreiro, Zé Carlos, Pepe, Serrano, Neves, Ferreira, Da Costa, Araújo e Piriquito, sendo o treinador o saudoso António Dionísio, vulgo Macarrão. O “Ferróbico” tem no campo José Agostinho de Matos, apetrechado com relva sintética, histórias deveras hilariantes que o público sempre recordará. A sombra do seu chaparro, um ícone que por lá se manteve ao longo de vários anos, foi abrigo de adeptos e visitantes que, por debaixo da sua enorme sombra, ali discutiam o teor das jogadas. Hoje, no espaço que ocupou ao largo dos muitos anos de vida, jazem apenas memórias da sua presença física e de inolvidáveis lembranças. Com campo e sede, instalações próprias do emblema, o “Ferróbico” contou para a sua fundação com Manuel Sacramento Jacinto, trivialmente conhecido por Manuel Cascalheira, Manuel Belga, António Pimpão, vulgo Camolas, e José Carlos Dias, de entre outros que desinteressadamente fizeram da coletividade um marco histórico do futebol regional. Presentemente, para além do futebol, o “Ferróbico” conta nas suas fileiras com as modalidades de BTT e de columbofilia. E se o caminho se faz caminhando, em Cabeça Gorda a circunstância desportiva continua segura, não obstante o povo recordar a benfeitoria que outrora idolatrou, o futebol. Todavia, a secção de BTT e Cicloturismo do CRD Cabeça Gorda deu uma nova alma à aldeia, leva anualmente centenas de atletas a participar nos seus eventos desportivos a que acresce, naturalmente, muitos dos seus familiares. As ruas enchem-se de gentes, os participantes nas provas descobrem novos trilhos e a paisagem visualizada encanta-lhe as almas, mas nunca perdendo a noção do agreste percurso deparado. “Ferróbico” e a sua cronologia.