Companheiro de aventuras, condiscípulo na vertente desportiva, assim como na ordem natural da vida, profeta em assuntos em que decretava a sua incisiva opinião, avaliando com determinação o tema tratado, homem sério, honesto, amigo do seu amigo, simples no trato, desfazia-se em ajudar o próximo, excelente comunicador, a voz, aquela de Deus lhe deu, sobressaía como se de um trovão se tratasse, enfim, para sempre ficará escrito nas infindáveis auréolas do horizonte o nome de um ser humano que fora excecional. As nossas brincadeiras, aliás, divertimentos estes que se estendiam a um humorístico grupo em que proliferava a amizade, ficou mais pobre. Francisco Manuel Vedor Amândio nasceu no dia 21 de setembro de 1947, em Vidigueira, e morreu no pretérito 10 de fevereiro, com 78 anos. Radicado em Santa Clara do Louredo (Boavista), foi ao longo da sua vida um homem que viveu o desporto de forma calorosa. A sua praia fora o futebol e a arbitragem. No Louredense Futebol Clube assumiu o cargo de diretor e treinador. Tinha uma inequívoca paixão pelo grémio de uma terra que ao longo dos anos disputou, com excelência, o campeonato do Inatel. O Chico, como irei trata-lo no que sobra deste texto, jamais se acomodou em viajar pela nossa região a assistir a um jogo de futebol. Era, na arreigada equipa dos fins de semana, um membro assíduo de uma turma onde reinava o companheirismo, não obstante as agruras que o tempo porventura contemplasse esses ilustres aventureiros. Mas, o Chico foi também membro do conselho de arbitragem da Associação de Futebol de Beja. Homem rígido no momento das decisões, botava palavra com aquele vozeirão quando a sua consciência determinava um separar das águas e a decisão impunha consenso. O Chico era um senhor retilíneo, ou não tivesse sido ele um dos protagonistas na arte de ajuizar o itinerário de um jogo ao largo dos 90 minutos. Sim, porque o Chico também envergou o equipamento de árbitro, logo sabia o quão difícil se tornava decidir um lance visto por olhares diametralmente diferentes. Agora, partiste para uma outra dimensão celestial, mas ficam as recordações que os teus amigos nunca esquecerão, incluindo a nossa velha e grande afeição. O teu coração, sempre enorme e bondoso, passou-te uma rasteira e tu foste impotente para driblares uma finta que te levou deste cosmos terrestre. A tua neta Adriana, médica pediatra, explanou numa carta as tuas alegres virtudes e que, depois de a ler em alto e a bom som, juntou ao teu corpo. Palavras de uma jovem pronunciadas com ênfase, repletas de amor, nas que comoveram gentes que te acompanharam, em silêncio, à tua última morada. Chico, todos somos pequenas gotas de orvalho que se dissolvem a uma velocidade estonteante, logo, essa viagem final é, de facto, uma inevitável realidade que um dia nos caberá. Fica, pois, a minha homenagem a um homem que abraçou com veemência a paixão com o fenómeno desportivo. Descansa em paz e um até logo, amigo!