Fernando Eugénio Pacheco Mamede nasceu em Beja no dia 1 de novembro de 1951 e morreu a 27 de janeiro de 2026, em Lisboa, sendo o atletismo o seu verdadeiro mundo. O nosso conhecimento reporta-se à infância. Jogámos futebol nos juvenis do Despertar e fomos antigos alunos da Escola Industrial e Comercial de Beja sendo, também, ex-pupilos do professor de educação física Rony. Recordo a sua quão valiosa arte para o universo das corridas. Nós, garotos, víamos no Mamede um autêntico craque. Nas tardes de quartas-feiras e sábados cheguei a correr ao seu lado nas voltas interiores à nossa escola. Voltas em que só raríssimos companheiros de jornada o acompanhavam nas suas longas passadas. O Vítor Santos, um companheiro predestinado para o atletismo, lá lhe dava luta. Num campeonato distrital de corta-mato em Beja conquistou a primeira vitória num pecúlio imensurável. Perante o rol de triunfos ao serviço da Mocidade Portuguesa, ei-lo, com 18 anos, e pela mão do professor Moniz Pereira, a assinar contrato com o Sporting Clube de Portugal, emblema do seu coração. Falar sobre o saudoso Fernando Mamede é enaltecer um recordista de distinta elite. Um recorde mundial, três europeus e 27 nacionais, uma afinidade que envolveu substancialmente o notável atleta, o seu pecúlio é inquestionável. Sintetizemos: um recorde mundial de 10 mil metros; três recordes europeus de 10 mil metros; dois recordes nacionais de cinco mil metros; dois recordes nacionais de três mil metros; um recorde nacional de duas milhas; dois recordes nacionais de 2000 metros; seis recordes nacionais de 1500 metros; um recorde nacional da milha; um recorde nacional dos 1000 metros; cinco recordes nacionais de 800 metros; um recorde nacional de 500 metros; dois recordes nacionais nos 4x1500 metros; dois recordes nacionais nos 4x800 metros e um recorde nacional de 4x400 metros. Importa, ainda, trazer à estampa o seu curriculum como júnior: dois recordes nacionais de 4x400 metros; dois recordes nacionais de 400 metros; um recorde nacional de 500 metros; quatro recordes nacionais de 800 metros; um recorde nacional de 1000 metros e um recorde nacional de 1500 metros. Observando a esplêndida veracidade, é caso para citar que estamos perante irreversíveis conquistas que fizeram dele um recordista de suprema primazia. O que lhe faltou foi uma medalha nos Jogos Olímpicos, um evento onde registou três presenças: Munique, 1972, Monte Real, 1976, e Los Angeles, 1984. Aqui, o recordista não impôs as suas autênticas competências quando o tema eram medalhas. Corria e as pernas recusavam a habitual cadência. Ficou a mágoa. Após ter dado por finalizada a sua atividade no atletismo, Fernando Mamede regressou, com muita assiduidade, à cidade que o viu nascer. Cansado de refeições adequadas para um atleta de alta competição, resolveu partir para um outro tipo de repasto, sendo fã da comida alentejana: caldos de peixe do rio, açordas, migas, sopas de toucinho, ou de bacalhau, e sopas de beldroegas, eram pratos que muito apreciava. Na “rota das tabernas” viajámos pela região marcando presenças em Pedrógão do Alentejo, Vila de Frades, Porto Peles, Vila Azedo, Quintos, Boavista, Trindade, Trigaches, Beja e por outros locais onde os sabores apresentados eram sempre regados com vinhos da região. Um regresso às origens e a amizades que jamais serão destruídas. Agora, partiste para a eternidade. Descansa em paz, meu amigo!