Diário do Alentejo

Antigos jogos populares do trabalho
Opinião

Antigos jogos populares do trabalho

José Saúde

26 de janeiro 2026 - 08:00

substancialmente inquietante, a cordialidade da rapaziada levou-a a outros voos, a outros prazeres atléticos, mas realizados agora sob o signo da liberdade. Aliás, nos seus exímios fulgores físicos, recordamos, ainda hoje, a visibilidade que os jogos proporcionaram a multidões de apaixonados pelo cosmos desportivo que os levavam a assistirem, em plenitude e ao vivo, a elevados momentos onde predominava o lazer. Conhecemos de fio a pavio essas particulares circunstâncias em que o entretenimento se afirmava positivamente abrindo novas janelas a jovens, cujos prazeres desportivos iam para além das suas próprias faculdades pessoais. Reinava a ciência da voluntariedade e a entrega ao momento que o jogo outorgava. Jovens trabalhadores que faziam jus àquele velho provérbio popular que diz: “o sangue que lhes corre nas veias”, era, obviamente, a arma sempre pronta a ripostar. Sim, porque se havia os mais dotados, outros ficavam-se pela enorme vontade no seu trabalhar em prol do coletivo. A novidade, toda em si, foi, na altura, um boom para uma alvorada que se encontrava enquadrada com o génio que a sua mente, entretanto, desenhava. O pessoal apresentava equipas oriundas de empresas públicas, funcionários do comércio, correios, oficinas de automóveis, bairros, cafés, restaurantes, de entre outras coletividades que evidenciaram disponibilidade em participar. As formalidades destes jogos populares do trabalho, creio que tiveram como principais impulsionadores a Câmara Municipal de Beja, Inatel, CCD do hospital de Beja, CDCR dos CTT e o Sindicato dos Trabalhares do Comércio e Serviços. As modalidades eram diversas. Futebol de salão, ténis de mesa, tiro ao alvo, bilhar, damas, xadrez, pesca desportiva, andebol, atletismo, sueca e o jogo da malha, designadamente, eram ilustres motivos em que a rapaziada se entregava de corpo e alma. Estes jogos, porém, não se alongaram no tempo, sendo que no ano de 1977 foi a sua última edição. Mas o pessoal, nesses tempos, vivia com êxtase o resplendor a modalidade praticada. Importa aqui deixar explícito que o público, que era na verdade bastante, assistia ao evoluir da competição entre as equipas, aplaudindo as formações de que eram fãs. No interior da contenda havia rivalidades, pois a cara de quem vence nunca é a mesma de quem perde, ficando, no entanto, o sentimento da amizade extra desporto. Havia, no interior da concorrência, pequenos desaguisados, todavia, essas discórdias de pronto seriam ultrapassadas, seguindo-se o convívio. E é neste compulsivo ato em recordar um passado que deixou histórias maravilhosas nesta urbe bejense que relembro aos leitores que aqueles antigos jogos populares do trabalho ter-se-ão afirmado como traves mestras para um futuro que se afirmou risonho. No rescaldo desses jogos surgiram novos atletas e novas coletividades.  

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