António Joaquim da Conceição Dionísio, apelidado pela plebe, e por nós nesta crónica, mas com elevada consideração, como o popular “Macarrão”, nasceu em Trigaches a 8 de dezembro de 1937 e faleceu a 15 de agosto de 2017, tendo sido outrora uma das extraordinárias celebridades do jogo da bola que brilhou no cosmos futebolístico bejense. “Macarrão” era sobrinho de Tiago Dionísio, um homem que tinha uma barbearia quase defronte ao café Luiz da Rocha, sita na rua Capitão João Francisco de Sousa, sendo ele um dos antigos e excelentes árbitros de futebol, não só a nível regional como nacional. Admirador de uma modalidade que sempre fora a minha praia, revejo equipas de futebol que marcaram o nosso palco desportivo, bem como jogadores cuja habilidade e entrega ao jogo fora literalmente aplaudida. Nesta conjuntura onde proliferaram demasiados craques, habituei-me a conhecer o “Macarrão” como um jogador de classe refinada e um polivalente nato. A sua elegância, em campo, primava pela superioridade e a sua estatura física, atirada para o baixo, jamais o impediu em temer o mais astuto e irreverente adversário que encontrasse pela frente. No Desportivo de Beja foi protagonista de épocas fabulosas e a cidade aplaudiu, com fulgor, uma das suas grandes estrelas. O “Macarrão” foi um dos semideuses do seu tempo integrando onzes onde irradiavam ases de esplêndida eleição. Na temporada 1957/1958, a troco de um cachê, rumou ao Futebol Clube de Serpa, sendo que lhe foi ofertada uma motorizada pelo endinheirado presidente João Diogo Cano, um transporte que “Macarrão” exigiu. A equipa que se havia sagrada campeã nacional da terceira divisão militava, então, na segunda categoria e “Macarrão” integrou a formação principal. Na época 1966/1967 foi meu treinador nos juvenis do Despertar, onde nos sagrámos campeões distritais. Na temporada de 1969/1970, aquando do regresso do espanhol Suarez ao Desportivo, na condição de jogador/treinador, eu, um puto com 18 anos, fui uma das aquisições de um fantástico plantel formado por magníficos e experimentados jogadores e eis que apanhei o “Macarrão” como companheiro de balneário no Desportivo. Recordo as várias lesões num dos joelhos e o sistemático recurso a uma joelheira elástica que lhe aconchegava a parte afetada. “Macarrão”, como técnico, formou gerações de jogadores e na época 1980/1981 foi o histórico treinador que ao serviço do Cabeça Gorda, “Ferróbico” como é usual o povo apelidar aquela simpática coletividade, eliminou o Penafiel, grémio treinado por António Oliveira e que militava na primeira divisão nacional, da Taça de Portugal, num jogo que teve lugar no estádio municipal de Beja. 1-0 foi o resultado final e o golo, que fez correr muita tinta na imprensa lusa, teve como autor Pepe. Refira-se, com merecida justiça, que na época anterior, 1979/1980, o mago “Macarrão” levou, pela primeira vez, a equipa sénior do “Ferróbico” a campeão da primeira divisão na Associação de Futebol de Beja. Resta a eterna recordação de um homem que foi simplesmente um dos famosos atletas que militou no desporto sul-alentejano.