Diário do Alentejo

Zé Romão, Carlos e António Simão, irmãos que  subscreveram célebres páginas desportivas
Opinião

Zé Romão, Carlos e António Simão, irmãos que subscreveram célebres páginas desportivas

José Saúde

12 de janeiro 2026 - 08:00

osé Romão Simão é um nome que poucos por certo reconhecerão. Mas há histórias que, na sua génese, são marcadas por uma transversal equidade que nos remetem para a descendência de famílias desportistas que o povo universalmente jamais esquecerá. O mestre Zé fora um homem que manuseou as peles, já curtidas, que davam novos andares a sapatos ou botas, que, por força das circunstâncias, lá precisavam de um arranjinho. Sapateiro de profissão, foi um homem educado, calmo e a sua humanidade para com o próximo inegável. Nasceu na Trindade, mas cedo encontrou na cidade de Beja a sua terra de acolhimento. O mestre Zé, foi, ainda, um futebolista amador quando a idade o permitia e desses recuados tempos recordava os derbies entre equipas de localidades vizinhas. Albernoa, Santa Clara do Louredo (Boavista), Penedo Gordo, Cabeça Gorda, de entre outras, eram, por norma, os adversários. Lembrava as malandrices protagonizadas entre jogadores no interior das quatro linhas; do tempo em que as balizas eram demarcadas por dois paus (postes) e o travessão (barra) por um fio de cordel que originava um balançar constante, mas levado a efeito por mãos alheias e, claro, suscetível alteração de resultados; as viagens feitas em carros puxados por parelhas de mulas; a ida às tabernas para o desejado petisco em finais dos jogos, enfim, um rol de circunstâncias diametralmente opostas àquelas que por ora constatamos. Mas, como diz o velho provérbio popular “filho de peixe sabe nadar”, logo, o nosso saudoso amigo do antigamente – paz à sua alma – gerou três filhos cuja dedicação à causa desportiva foi de facto imensurável. Zé Romão, antigo jogador de futebol do Despertar, Desportivo de Beja, Vitória de Guimarães, Alcobaça, Penafiel e Fafe, sendo que como treinador o seu curriculum é merecedor de louváveis elogios, quer a nível nacional, quer internacional, passando também por seleções da Federação Portuguesa de Futebol; Carlos Simão, antigo jogador e também treinador, sendo um guarda redes que defendeu os emblemas do Desportivo de Beja, Despertar, Sporting de Cuba, Futebol Clube de Serpa, Ginásio de Alcobaça (1.ª Divisão Nacional), Nazarenos, Fafe e Sporting Ferreirense, juntando a esta sua atividade, como técnico, passagens pelo Ervidel, Sporting de Cuba, Sporting Ferreirense, Mineiro Aljustrelense, Serpa e, na época de 1996/1997, treinador adjunto de José Torres, no Desportivo de Beja, quando a equipa militou na II liga nacional, assumindo, mais tarde, as rédeas do grupo, onde se verificou então a sua saída, segundo rumores à época, por discordâncias com o presidente, não com o jogadores com os quais diariamente trabalhava;  António Simão, foi, sem dúvida alguma, um conceituado e estudioso columbófilo bejense que assumiu, igualmente, a condição de dirigente na modalidade, não só regional bem como nacional. Concluindo: o mestre Zé deixou um clã de desportistas que deixará, interminavelmente, história numa urbe, Beja, que sempre soube hospedar gentes que fizeram do desporto um hino à voluntariedade. Zé Romão, Carlos e António Simão, irmãos que subscreveram célebres páginas desportivas.

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