Fundado em 1 de junho de 1932, sendo um dos seus fundadores Manuel António Engana, o “Diário do Alentejo” (“DA”) é um jornal público que se mantém na esfera da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, sendo um órgão informativo e merecedor dos mais requintados e desafiantes fundamentos. Por lá passaram excelentes jornalistas desportivos, neste caso homens do desporto, que debitaram nas suas páginas notícias que encantavam os leitores. Sou do tempo em que a única fonte de informação oficial era o “DA”. Cito o nome de alguns dos condiscípulos: Melo Garrido, antigo diretor, trabalhava, a preceito, uma pequena novidade que batia inegavelmente num leitor que vivia ansioso por uma próspera notícia; seguiu-se-lhe José Moedas, um homem astuto, sendo ele um dos exímios exemplos que marcaram gerações; veio, depois, Xico Pratas, um companheiro conhecedor profundo do prodígio desportivo, um homem que conhecia de fio e pavio as maravilhas das antiquadas histórias, tendo colunas em que recordava cronologias que marcaram a sua juventude, sendo eu um dos seus leitores que muito apreciava o conteúdo das suas explanações. Numa fase posterior, Firmino Paixão, e eu próprio, José Saúde, fomos os jornalistas que assumimos tamanha responsabilidade, ele no terreno, eu sintetizando textos na minha coluna denominada como “Bola de trapos”. Pelo “DA” passaram também companheiros que debitaram, com excelência e vontade, relatos sobre os acontecimentos desportivos. Reconheçamos, no entanto, que nem tudo se apresentou como tarefa facilitada. Aliás, exibir ao público o exercício da escrita não é tarefa facilitada, é preciso ter engenho e arte, e possuir um profundo saber dos factos descritos. Numa análise pessoal, o “DA” é um semanário, anteriormente diário, que sempre esteve num lugar de eleição quando em causa está o regionalismo em toda a sua dimensão. A sua evolução foi sempre inegável. Presentemente o sector do jornalismo escrito, no contexto desportivo, parece desmoronar-se contra uma parede assumida como eventualmente intransponível. E se a nível nacional, ao que parece, as coisas não se apresentam nada fáceis, pois os órgãos de comunicação social escrita se sujeitam a outras opções, é claro que no âmbito local tudo se complica. É tempo para se repensar no futuro, criar bolsas para que novos jornalistas apareçam, algo que, a priori, me parece complicado, sendo, porém, urgente uma aposta nas novas gerações e que haja boa vontade de quem de direito. Portugal, no seu todo, jamais poderá ficar refém de outros interesses. Mas, o “DA”, aquele velhinho jornal, será eternamente o fiel meio de comunicação social, que leva ao leitor as mais diversificadas informações num território que vê no seu noticiário uma fonte de informação. É óbvio que nem tudo passa por um subtil friccionar de dedos, o trabalho é amplo e obedece a canseiras enormes. Todavia, existe em cada um de nós, homens da pena, a altivez em transmitir notícias de índole distrital. Somos um jornal com 93 de existência e merece respeito. E é justamente baseado nesta conjuntura que o “DA” seguirá certamente o caminho do futuro. “Diário do Alentejo”, informação e o desporto.