Cada pessoa é fruto das opções que vai tomando ao longo da vida. Quando a pessoa se vincula a um rumo, a uma ideologia ou a um movimento, quando a pessoa se junta a uma causa, ela irá corporizar tudo aquilo que essa escolha representa, para o bem e para o mal.
E é por isso fundamental que a pessoa que escolhe o seu caminho faça o teste do algodão, ou seja, o teste da introspeção, para saber se essa sua escolha é realmente autónoma, resultado de um livre-arbítrio e isenta de qualquer condicionamento, ou se, pelo contrário, é apenas o reflexo de uma qualquer contaminação.
O seu posicionamento perante aquilo que a rodeia decorre sempre de uma aprendizagem mais ou menos conclusiva, mais ou menos mais profunda, mais ou menos alfabetizada.
A forma e o conteúdo desse posicionamento revelam-se inevitavelmente a partir da bagagem cultural que a pessoa carrega consigo.
O problema das tomadas de posição públicas é que elas refletem claramente a presença ou a ausência dessa bagagem fundamental.
E na ausência dessa mais-valia, marcada por uma insuficiência a vários níveis, a pessoa tende a gritar, a difamar, a criticar, a destruir.
A pessoa que é limitada escolhe a via da violência verbal, e às vezes, num estado de brutalidade, também a física. Tudo o que a corrói, tudo o que a frustra, é canalizado para agredir o outro. Tudo obviamente em nome da liberdade da expressão, mesmo que seja a expressão do ódio.
E é curioso verificar como a liberdade de expressão, que vem do mesmo lugar de onde vêm a democracia, a liberdade, o 25 de Abril e os cravos, já dá jeito para branquear comportamentos infames. Ao escolher o seu caminho, cada pessoa diz afinal quem é o que é.