O mundo mágico das crianças no universo desportivo é, de facto, maravilhoso. O seu chorar, designadamente, foi sempre algo que me decretou tristeza. Quando o choro é essencialmente infantil as razões do seu chorar poderão possuir razões díspares. É normal que as crianças sejam possuidoras de evidentes manifestações que conduzem as suas presenças nos jogos para compreensíveis cuidados. Neste âmbito, já me deparei com seu compulsivo choro só porque o resultado da sua equipa se traduziu numa derrota. Vê-se que nas suas frágeis mentes se concentra uma espécie de revolta interior que os conduz para constrangidos prantos, uma vez que os miúdos terão sonhado com um êxito que, entretanto, se lhes escapou. Nesta situação, o chorar das crianças, ao invés daqueles amiguinhos que saúdam sumptuosamente o instante da vitória, é agitada. Todavia, é importante que nós, adultos, estejamos à altura de um hábil conhecimento acerca do seu lacrimejar, subentendendo-se que o dever é separar o trigo do joio. Deixai as crianças manifestarem-se livremente, divertirem-se de acordo com as idades que declaradamente manifestem, incutindo-lhes no seu pensamento infantil que há o ganhar, o perder, ou o empatar, sendo que na generalidade das modalidades existiram sempre os mais e os menos dotados, por isso é com a devida justiça que todos, em uníssono, nos preparemos para o profícuo saber em separar as águas e não condenando miúdos cujo sofrimento é, na altura, casual. No silêncio de uma subtil observação, tenho reparado em inadvertidas atitudes, extrajogo, que, em meu entender, prejudicam o rendimento e a sensibilidade infantil que, no íntimo, fazem aquilo que, por ora, o seu ego lhe confere. Sonham, ainda, com a magia de um passe, de uma finta ao adversário que os deixam encantados, da marcação de um golo e o subsequente festejo, tantas vezes a imitar os gestos do craque da sua eleição. Analisemos, por um outro prisma, que noutros lugares, hospitais em concreto, existem outros miúdos a viverem num autêntico sofrimento, lutando pela vitória das suas próprias vidas e distantes de uma tão desejada prática desportiva. Que entendamos, e é equitativo que o façamos, que o choro, ou a magia do sonho das crianças por um resultado que lhes fora adverso, é, somente, um instantâneo pesadelo e que a seguir vem uma brincadeira que os liberta do ápice com o qual dantes se confrontara. O mundo das crianças no desporto, e o seu original raciocinar, é-me completamente delicioso, daí que deixe o meu repto final, já que é importante que nós, maiores de idade, saibamos entender a empatia com a evolução do divertimento, dado que o chorar os liberta de pesadelos que outros meninos, algures neste universo terrestre, infelizmente padecem, tendo em conta a horribilidade de violentas pelejas com as quais no dia a dia se confrontam.