Diário do Alentejo

Jorge Coelho e a política como ela deve ser
Opinião

Jorge Coelho e a política como ela deve ser

José Nicolau Gonçalves, chefe de gabinete do presidente da Câmara de Ourique

19 de abril 2021 - 10:00

Invocar Jorge Coelho é falar da política como ela deve ser, próxima, focada, consequente e com alma. Tive a oportunidade, transformada em privilégio, de trabalhar com Jorge Coelho no Ministério do Equipamento Social e no Partido Socialista, portanto na dimensão de serviço público e na esfera partidária.

 

Foram tempos de compromisso, pela intensidade, e de aprendizagem permanente em como se pode fazer política agregando vontades, mobilizando as pessoas e mantendo pontes com quem pensa diferente de nós.

 

O país está muito diferente, mas há marcas de sempre da personalidade e da ação do Jorge que farão sempre parte das melhores práticas das relações humanas e do serviço público.

 

A humildade, a proximidade, a capacidade de envolver as pessoas para a mobilização e o sentido de sintonia com a realidade esteve sempre presente, mantendo-se até à sua partida.

 

O Jorge nunca esqueceu as raízes, no interior, sempre teve bem presente a necessidade das respostas do Estado e da sociedade irem mais além do que os discursos na valorização do potencial do interior e do mundo rural. Não se limitou a dizer, fê-lo enquanto governante e fê-lo como cidadão ao criar uma queijaria em Mangualde que criou emprego e lhe permitiu pagar melhor aos pastores que asseguram a matéria-prima para o queijo da serra.

 

O Jorge nunca esqueceu que o foco da ação pública está nas pessoas e nos territórios, por isso lançou as lojas do cidadão em que o cidadão é colocado pelos serviços públicos no centro da organização.

 

O Jorge foi muito mais do que o político que assumiu as responsabilidades políticas da queda da ponte de Entre-os-Rios, através da demissão do cargo que exercia. Foi um fazedor, uma energia positiva, preocupada com as pessoas em concreto e com as grandes questões que afetam a sociedade portuguesa, como a pobreza, em especial a pobreza infantil. Também por isso deu o exemplo em Mangualde, na sua fábrica, dando mais rendimentos às famílias que trabalhavam na produção dos queijos.

 

Vivemos um tempo difícil, de desencanto, ódio e polémicas estéreis. Um tempo em que agregar, tolerar e concretizar, com proximidade, mobilização e desprendimento se torna cada vez mais necessário para contrariar quem pretende implodir o sistema democrático ou contestar sem apresentar alternativa equilibrada.

 

Mais do que nunca precisamos de responder ao essencial, com o foco nas pessoas e nos territórios, com proximidade às realidades, a saber do que se fala e com sentido de senso e consequência. É este registo que faz toda a diferença e quantas vezes no partido como no ministério vi essa realidade tocante, transformadora e consequente acontecer pela palavra e pela ação do Jorge Coelho.

 

Serão precisas muitas pessoas para completar todo o concentrado de energia positiva, de humanismo e de humildade do Jorge Coelho. Por mim, continuarei humildemente a contribuir para esse legado, privilegiado que fui da sua amizade.

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