Diário do Alentejo

Desportivamente
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Desportivamente

José Saúde, jornalista

20 de agosto 2020 - 10:25

A celeridade que o momento carrega sobre o mais esforçado contador de perseverantes histórias, mesmo que estas sejam datilografadas por um simplório entusiasta, submete o escriba a um exame factual onde não cabem as imprevisibilidades e nem tão-pouco meras invenções, por ora debitadas. O espaço, que por norma aqui ocupamos, é submetido a princípios básicos que levam à concretização de explanações despretensiosas, curtas, objetivas e coordenadas de acordo com as suas credibilidades.

 

Desportivamente, e não enveredamos por questões táticas baseadas em triplas conjeturas, e nem sequer em vãos adjetivos arrasadores, pois ninguém aqui arrasa ninguém, aliás, isto são contas de outros rosários, exprimo, sim, com a sensível honorabilidade que não abdicarei em transportar, para os leitores, episódios marcadamente verídicos. Os tempos, já vividos, permitem trazer à estampa proveitosos conhecimentos que atrevo em opinar e nada mais. Primo pela imprescindível isenção e não pelas cores clubísticas. Ou não fora a missão escrever uma pura faculdade em articular os seus conteúdos. Ponto final!

 

O teor desportivo nacional, felizmente não generalizado, conduz alguns dos seus defensores a revelarem uma imparável ânsia pelo poder. O clube que lhe preenche a alma é o maior, tendo em conta todo o historial já registado. Porém, vagueia, esporadicamente, num mar encrespado onde as ondas, embora gigantes, não vão para além de minimizar as tempestades. Prevalece, quiçá, o cisma da superioridade e nada é melhor que o nosso emblema. Aqui d’el rei porque somos observadores atentos de um fenómeno onde os profetas da desgraça ejaculam palestras para uma populaça que bebe, com um entusiasmo desenfreado, os distorcidos discursos de intrépidos senhores.

 

E se é verdade que os finórios comentaristas tudo fazem para “venderem a sua banha da cobra”, pois para muitos deles a bola terá sido uma “coisa” quadrada, existe, por outro lado, uma classe os homens, que sempre viveram o futebol, sendo o seu discurso fiável a todos aqueles que se predispõem ouvir as suas elucidativas experiências. Estes vão, ao pormenor da jogada, à disposição dos jogadores em campo, quem “tapa” quem numa jogada ofensiva, ou defensiva, a ocupação do espaço que cada um terá de ocupar, enfim, um conjunto de argumentos fidedignos só ao alcance daqueles que fizeram integralmente parte do fenómeno futebolístico no interior das quatro linhas.

 

Os outros, com a devida vénia, são simplórios argumentistas, ofendem-se amiúde, puxam das cartilhas, previamente estudadas, falam de tudo um pouco, das guerrilhas interclubistas e menos da essência do futebol propriamente dito. O seu discurso é pobre, insípido e gera, normalmente, confusão no adepto. Faltas-lhes tarimba e sobretudo o espírito do saber. Discutir o futebol é para os homens da bola, não para leigos e atrevidos missionários. Eu, desportivamente, desconfio destas incoerentes opulências arremessadas por estes “misteriosos” senhores!... 

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