Diário do Alentejo

Obras na secundária de Castro Verde começam neste ano “se tudo correr bem”

09 de março 2020 - 11:50

Foi inaugurada em 1986 e, mais de três décadas passadas, foi alvo de poucas ou nenhumas intervenções. A Escola Secundária de Castro Verde, sede do agrupamento, necessita, por isso, de uma rápida requalificação para que alunos, professores e funcionários possam resistir aos calores do verão e aos frios do inverno. O município está a liderar o processo e aponta o mês de abril para o lançamento do concurso da primeira fase da empreitada. “Se tudo correr bem”, as obras poderão iniciar-se ainda neste ano.

Texto: Aníbal FernandesFoto: José Ferrolho

São cerca de 400 os utentes diários da Escola Secundária de Castro Verde. O equipamento, inaugurado em 1986, há muito que precisa de obras de requalificação. Augusto Candeias, diretor do Agrupamento de Escolas de Castro Verde (ESCV), que desde 2012 é constituído por sete estabelecimentos de ensino que vão desde a educação pré-escolar ao secundário – com cursos científico- humanísticos e profissionais –, desfia o caderno de encargos das obras necessárias: “O isolamento térmico é prioritário. As oscilações de temperatura são elevadas o que, no verão, torna insuportável trabalhar e estudar com mais de 40º e, no inverno, com o frio de rachar é difícil resistir sem recorrer a agasalhos e mantas”. Para além desta questão, aponta ainda como fundamental a substituição do pavimento em cerâmica por outro em linóleo (mais térmico) e dos estores antigos por outra solução mais moderna e eficiente, atacar as infiltrações de água e acabar de substituir o amianto que ainda resiste no edifício. Urgente também é a opção por lâmpadas tipo LED, que teria a vantagem de diminuir a rubrica do orçamento destinada à energia e que absorve mais de 50 por cento das despesas mensais. No início do mandato o executivo municipal de Castro Verde elegeu a requalificação da escola secundária como uma das suas prioridades. No entanto, mais de dois anos passados a obra ainda não começou. António José Brito, presidente da autarquia, diz que já estiveram “bastante mais longe” e que neste momento continua a trabalhar para iniciar as obras. “Tem sido um caminho longo, exigente e com várias etapas cumpridas, sempre em total articulação com a direção do Agrupamento de Escolas de Castro Verde.

 

É bom sublinhar que começámos no ponto zero, porque nada estava feito quando tomámos posse em outubro de 2017”. O autarca, que recusa alimentar “jogos do empurra”, diz que “desde o início de 2018 a câmara municipal inverteu a posição assumida nos mandatos anteriores” e assinou “um acordo com o Ministério da Educação que permitiu ao município liderar a gestão do processo e assumir responsabilidades financeiras em parceria com o Governo”. Foi contratado um gabinete de arquitetos “que trabalhou em tempo recorde” e, “concluído o projeto, no final do verão de 2019, assegurámos a sua aprovação pela Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (Dgeste)”. Neste momento está a decorrer a avaliação da candidatura a fundos comunitários. O projeto já foi aprovado pela câmara municipal e, no passado dia 15 de janeiro, foi apresentado publicamente. O presidente da câmara revela que “está a decorrer o concurso público para fazer a revisão do projeto e, se tudo correr bem, acreditamos que em abril teremos condições para lançar o concurso da empreitada da primeira fase da obra, ou seja, o bloco de aulas, onde existem os maiores problemas”. Mas os passos a dar são mais do que muitos: “Depois, o processo ainda terá de ser aprovado pelo Tribunal de Contas para podermos iniciar as obras”, explica António José Brito. Augusto Candeias gostaria de ver as obras iniciarem-se no princípio do próximo ano letivo e acha que isso será possível. Se acontecer vai ser preciso “arranjar espaços alternativos”, nomeadamente, “nos centros escolares 1 e 2 e na EB2/3”, para além de outros espaços cedidos pelo município”. No entanto, o presidente da câmara não arrisca uma data para o início dos trabalhos: “É prematuro falar disso, porque há etapas que não dependem de nós, como, por exemplo, o visto do Tribunal de Contas. Apenas podemos dizer que, se todas as etapas decorrerem sem percalços, estamos confiantes de que a obra possa arrancar neste ano”, promete.

 

INVESTIMENTO DE 3,7 MILHÕES DE EUROS

 

As obras de requalificação da sede do Agrupamento de Escolas de Castro Verde vão decorrer em duas fases. A primeira incidirá sobre o bloco de aulas e tem um custo estimado de 1 725 150 euros. A segunda fase terá como objetivo recuperar os espaços polivalentes cantina, sala de professores e serviços administrativos e custará 1 373 442 euros. A estes valores há ainda a acrescentar os custos para a elaboração e revisão do projeto, a aquisição de mobiliário escolar, material didático, equipamento informático e monitorização de segurança. “No total, estamos a falar de um investimento de 3 712 956,25 euros”, concretiza António José Brito.

 

 

Comentários