Diário do Alentejo

Beja: Casos de coronavírus vão para Lisboa

06 de março 2020 - 14:45

Sempre que surja, no Baixo Alentejo, um caso suspeito de infeção pelo novo coronavírus o doente será transportado para um hospital de Lisboa. Será assim durante esta fase de contenção da doença.


Fonte da Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARSA) garantiu ao “Diário do Alentejo” que todas as unidades e agrupamentos de saúde “estão a dar cumprimento” às orientações da Direção-Geral de Saúde (DGS) no sentido de “preparar e reforçar a prontidão dos profissionais e dos serviços” para dar resposta ao alastramento da doença. São essas orientações que determinam o reencaminhamento dos doentes para um dos hospitais de referência em Lisboa. Uma vez validada a suspeição de infeção pelo Covid-19, o doente “mantém- -se em isolamento” na unidade de saúde onde for assistido, “enquanto aguarda o transporte para um dos hospitais de referência que, à data, para o sul do País, são em Lisboa”. “Há mais hospitais na região centro e norte que são de referência, e se necessário aumentará o número de hospitais. Nos hospitais é que será feita a colheita de produtos biológicos para análise, que confirmará ou não a infeção”, acrescenta a mesma fonte. Segundo a ARSA, o plano de contingência “é evolutivo e adaptável às necessidades, definidas pela taxa de ataque e número de doentes a necessitar de internamento”. Ou seja, “para uma situação excecional, estão previstas medidas excecionais, tal como já aconteceu em emergências internacionais de saúde pública anteriores”, como a pandemia de gripe H1N1 em 2009.

 

Contactada pelo “Diário do Alentejo”, a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (Ulsba) garante já ter adaptado as normas de atuação emitidas pela DGS à “realidade local, elaborando diversos fluxogramas que foram difundidos por todos os profissionais e colocados na intranet da instituição de modo a estarem disponíveis em caso de necessidade”. “Nesta fase, caso haja uma suspeita de doença, procede-se ao isolamento do doente enquanto se aguarda orientações da Linha de Apoio ao Médico. O doente, neste momento, não será tratado no Hospital José Joaquim Fernandes, caso se confirme tratar de um caso suspeito de doença”, confirma a Ulsba, acrescentando que, junto dos centros de saúde, foi “dado cumprimento à divulgação das medidas de prevenção através de formação aos profissionais e divulgação dos cartazes desenvolvidos pela DGS para alerta da população sobre a infeção e medidas de prevenção junto dos viajantes”. Também nos centros de saúde, acrescenta a Ulsba, foram divulgados os procedimentos de atuação em caso de suspeita de infeção, “além da formação dos profissionais quanto às medidas de proteção a adotar nestes casos”.

 

“ALARMISMO GENERALIZADO”

 

Tanto em meio urbano como no rural, a farmacêutica Sílvia Bentes diz existir um “alarmismo generalizado” por parte dos cidadãos, traduzida, por exemplo, na preocupação em adquirir máscaras, toalhetes e gel desinfetante, produtos há muito esgotados. “Quando tentei repor o stock de máscaras, até porque tinha uma cliente chinesa que queria enviar uma grande quantidade para a família, os distribuidores disseram- -me que o produto já não estava disponível”. Ainda assim, Sílvia Bentes garante que, depois de informadas, as pessoas “percebem o que está em causa e relativizam a questão”. No início desta semana, a ARSA enviou às farmácias um plano de contingência com os cuidados a ter e que, segundo a farmacêutica, “no essencial, não diferem muito daqueles que se devem observar em relação à gripe”. Por enquanto, e porque a maior preocupação por parte dos utentes “pode dever-se a falta de informação”, as farmácias deverão ter um papel “tranquilizador e informativo”, prosseguindo a sua intervenção “como de costume perante uma infeção respiratória”, sempre que surja um doente com sintomatologia mas sem história de viagem a zonas afetadas ou contacto com pessoas infetadas. Numa segunda fase, já com o risco de contágio mais elevado, é pedido ao farmacêutico para “informar e tranquilizar o utente, reforçando as medidas de prevenção de transmissão de um vírus respiratório, para evitar a propagação a outras pessoas”.


PREVENÇÃO NAS ESCOLAS


Nas escolas as medidas de prevenção também estão a ser aplicadas. “Os alunos de espanhol da escola de Santa Maria tinham previsto uma deslocação a Madrid, este mês, mas a viagem foi cancelada”, diz Hélder Mira, adjunto da direção do Agrupamento de Escolas Nº1 de Beja. “O assunto foi colocado à consideração dos encarregados de educação e resolveu-se que seria mais prudente desmarcar esta atividade”. Pelas escolas já foram distribuídos diversos folhetos e afixados cartazes com indicações sobre as melhores formas de prevenir o contágio.

 

Texto: Luís Godinho

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