Diário do Alentejo

Ana Maria Teresa, diretora técnica da APCO (Odemira)

02 de janeiro 2020 - 10:05
DRDR

Texto Nélia Pedrosa


A Associação de Paralisia Cerebral de Odemira (APCO) assinalou em 2019 o 18.º aniversário. Passadas quase duas décadas sobre a sua constituição, como se define atualmente a associação?
A APCO comemorou o 18.º aniversário e podemos defini-la como uma instituição que reúne já uma experiência de trabalho a chegar à “idade adulta” no âmbito da inclusão de pessoas com deficiência, experiência essa que confirma, também, a necessidade de continuar esse trabalho. Ser uma instituição de referência numa comunidade inclusiva é a visão da APCO que norteia o trabalho, pois partimos do pressuposto de que as pessoas se realizam através da sua participação na comunidade e que é possível apoiar as pessoas com limitações a encontrarem o seu lugar na sua comunidade. Por seu lado, a comunidade tem sido recetiva a estabelecer parceria e à participação na inclusão destas pessoas. Intervimos de forma continuada e abrangente ao longo da vida da pessoa. Procura-se construir projetos de vida baseados em intervenções continuada, atendendo às necessidades e expectativas individuais, considerando as potencialidades e interesses e seguindo uma metodologia centrada na pessoa. A APCO “nasceu” em 2001 com duas respostas sociais, cerca de 10 colaboradores(as) e 30 utentes. Ao longo do tempo temos crescido em número de respostas, colaboradores e clientes, e em qualidade das respostas. Foram sendo desenvolvidos vários projetos, destacamos, neste momento, o projeto Vidas Con(sentid@s) – Apoio Personalizado à Inclusão, financiado pelo Prémio BPI Capacitar 2018, e os projetos ArtInclui – Incluir com Arte no Concelho de Odemira e o Centro de Apoio à Inclusão, apoiados pelo programa Sinergias Socias.


Quantos clientes tem a APCO?
A APCO apoia 217 pessoas, maioritariamente, do concelho, através das várias respostas: lar residencial, centro de atividades ocupacionais, apoio domiciliário, intervenção precoce, centro recursos inclusão e gabinete apoio a programas incluídos na comunidade.


Quais os principais desafios que se colocam atualmente à instituição?
Continuar a trilhar o caminho da inclusão, a pensar novas formas de participação e de envolvimento de todos(as), respondendo continuamente aos desafios que surgem a cada momento. Continuar a procura de novas formas de trabalho que promovam a melhoria contínua dos serviços e da qualidade de vida das pessoas apoiadas. Manter o foco na utilização de práticas desenvolvidas na comunidade em colaboração com as entidades parceiras. Aguardamos com expetativa o início da construção das novas instalações do centro de atividades ocupacionais. A Câmara de Odemira é a entidade promotora desta obra, e a mesma permitirá obter uma melhoria muito significativa na qualidade desta resposta. Estes são os principais desafios que temos pela frente, desafios que enfrentamos com determinação, empenho e segurança porque não estamos, nem poderíamos estar, sozinhos. Temos uma direção e uma equipa muito empenhadas, um conjunto de entidades parceiras que colaboram verdadeiramente e uma comunidade que acolhe.

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