Diário do Alentejo

Transformar a passividade em reflexão crítica

04 de dezembro 2019 - 10:30

Felisbela Baião é professora de português e de francês. Em 2011 publica on line os seus textos em planicie-alentejana.blogspot.pt. Em 2014 participou, com poesia, em várias coletâneas e antologias. Durante o ano de 2017 participou em rubricas da rádio Viseualiveonline, onde falou sobre o Alentejo e dava a conhecer a sua prosa e poesia. Vanda Rosário é professora de educação visual e tecnológica. Em alguns momentos da sua vida académica e profissional teve a oportunidade de expor trabalhos de pintura. Foi a primeira vez que ilustrou um livro.

 

Texto José Serrano

 

Felisbela Baião e Vanda Rosário, professoras de educação especial na Escola D. Manuel I, em Beja, apresentaram recentemente, na escola onde lecionam, o seu livro À Descoberta da Cidadania. A obra, de caráter pedagógico, surgiu da “necessidade de haver pontos de partida” para a nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, que teve o seu início no passado ano letivo, em várias escolas do País. Esta obra teve o apoio da Escola D. Manuel I e da Câmara Municipal de Beja.

 

Que descobertas podemos encontrar nas palavras e nas ilustrações deste livro?
Em traços gerais, podemos dizer que a nossa intenção foi criar histórias para levar os jovens a sair da sua zona de conforto e a pensar, criticar e opinar sobre questões da sua realidade, sabendo que a nossa sociedade é cada vez mais exigente e que os nossos alunos assumem, muitas vezes, uma atitude passiva. As ilustrações pretendem levar o leitor para dentro dos contos, para que sintam o que as personagens sentem, através das cores, dos traços, dos diferentes materiais usados.

 

Esta é uma obra para ser explorada exclusivamente em contexto escolar ou aconselham a sua leitura, também, em ambiente familiar?
Inicialmente, pensámos numa abordagem puramente pedagógica, mas, à medida que fomos obtendo o feedback dos colegas, modificámos a nossa forma de pensar. Consideramos importante que o livro seja igualmente lido e refletido em família, uma vez que aborda temas que refletem preocupações transversais a toda a sociedade, e é no seio familiar que devem começar os pilares basilares da educação cívica dos nossos alunos.

 

Qual a importância que, como docentes, atribuem à disciplina de Cidadania e Desenvolvimento?
Consideramos que tem uma importância fundamental para os jovens de hoje, uma vez que as linhas orientadoras, vindas do Ministério da Educação, permitem retirar os alunos da esfera puramente virtual para refletirem uma realidade concreta.

 

Consideram que a disciplina poderá contribuir para a base de uma sociedade mais justa, mais solidária, mais inclusiva?
Certamente que sim. As escolas terão oportunidade de formar pessoas mais autónomas, mais responsáveis, mais solidárias, conhecedoras dos seus direitos e deveres, que dialogam no respeito com os outros, cidadãos mais democráticos, criativos e críticos.

 

Ficariam felizes se este vosso livro…
Fosse lido pelo maior número de pessoas. Apesar de ter sido pensado para a nossa esfera escolar, se fosse lido fora dela poderia contribuir para agitar um maior número de mentalidades.

 

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