Diário do Alentejo

Fotografia: “O Alentejo tem uma luz especial, diferente”

17 de setembro 2019 - 09:40

Texto José Serrano

 

Com 12 anos “experimentou” a fotografia no FAOJ – Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis, de Beja, e o mistério da câmara escura entranhou-se nele, como uma paixão. O seu trabalho fotográfico tem merecido inúmeras distinções nacionais e internacionais. Em 2014, a Associação Portuguesa de Profissionais de Imagem atribuiu-lhe o título de “Duplo Mestre Fotógrafo”, pela acumulação de méritos fotográficos. Em 2015, a Academia Internacional de Gastronomia, reunida em Paris, concedeu-lhe o “Prix de la Littérature Gastronomique”, pelo seu livro Comer em Évora. Atualmente desenvolve o seu trabalho nas áreas da fotografia de retrato, comercial, documental e industrial – arquitetura e interiores.

 

Está patente, na Pousada do Castelo de Alvito, até ao próximo dia 6 de outubro, a exposição de fotografia “Alentejo – ontem, hoje, amanhã”, da autoria de Jerónimo Heitor Coelho. Uma exposição onde o público poderá observar o “pensamento pictórico” incluso no trabalho do autor, seja “na harmonia das arquiteturas ou no equilíbrio dos espaços, seja na composição dos interiores ou na densidade humana dos retratos”.

 

Indicia o título que os espetadores possam observar distintos “Alentejos” nesta sua exposição?
O Alentejo, como maior região do País, engloba diversas áreas de abordagem. Nesta exposição, que pretende mostrar o Alentejo como um todo, no seu sublime esplendor, cada fotografia representa, individualmente, uma parte dessas vivências e experiências. Na mostra estão representados os diversos patrimónios, as paisagens naturais e urbanas, a gastronomia, as culturas, a tradição, o traje do século. XX e a inovação.

 

O Alentejo não é só o postal contemplativo da paisagem, há depois as realidades mais veladas e “duras”… Considera importante, enquanto artista, registar essas realidades menos turísticas, mais ocultas, ainda que aliadas a um sentido intrinsecamente estético?
No meu trabalho tento captar o belo, tento ser positivo através das imagens executadas, para que depois elas possam transportar, em si mesmas, essa positividade. Mas isso não quer dizer que não fotografe aquilo que se poderá qualificar como “cenas mais duras”. O que se passa é que, ainda assim, tento sempre dar beleza a essas realidades.

 

Qual a contribuição que o Alentejo tem tido na sua condição de artista?
Aqui estudei, aqui vivi outrora, aqui vivo atualmente, aqui experienciei muitas vivências. Isso reflete-se, obviamente, no “meu ser”. Já viajei muito, já estive em contacto com muitas culturas e formas de viver distintas. Mas o Alentejo é especial, pela tranquilidade ímpar que nos transmite.

 

Encontra aqui a tal “luz especial”, preponderante e rara, que os fotógrafos tanto almejam encontrar?
Caracterizo o estilo do meu trabalho como “realismo mágico”, onde através da interpretação e manipulação da luz tento criar essa magia. Todas as zonas do Mundo têm as suas características de luminosidade, umas mais suaves outras mais duras, umas mais quentes outras mais frias. Toda a luz tem beleza, desde que seja interpretada como tal e utilizada para a finalidade desejada. Mas sim, o Alentejo tem uma luz especial, diferente.

 

O que pretende ao captar uma imagem, ao “aprisionar” um momento irrepetível?
Crio histórias baseadas em valores, emoções e diferenças subtis. Esta forma de trabalhar permite que momentos, mensagens, significados e gestos entrem na narrativa com muita força, seja num retrato, numa fotografia comercial ou documental. Contar histórias é um trabalho de amor. Existirá, assim, sempre mais uma história por contar.

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