Diário do Alentejo

Entrevista com José António Falcão

09 de agosto 2019 - 09:50

Texto Nélia Pedrosa

 

O que é o “Sound Anatomy of Unique Places – Sonotomia”, projeto distinguido recentemente pela Comissão Europeia, no âmbito do seu principal programa na área da cultura, Europa Criativa? Como surgiu? Qual o valor do financiamento?
Este projeto visa a aproximação das comunidades artística e científica (e, através delas, do público em geral) às paisagens sonoras da Europa, numa perspetiva orientada não apenas para o estudo do seu passado, mas também como uma importante base para a criação contemporânea. O objetivo fundamental é a compreensão do papel da cultura no desenvolvimento dos territórios, a partir de três vertentes: a marítima e fluvial, a rural e a urbana. Com o recurso às tecnologias mais avançadas, vai ser criado um modelo de processamento dos sons em âmbitos representativos do património cultural e natural, tanto material como imaterial. Queremos estabelecer competências nestes domínios que possam ser replicadas e perspetivar grandes desafios que se colocam à arte, nos dias de hoje. Qual o panorama musical do futuro, eis a magna questão. A iniciativa foi uma ideia do festival Terras Sem Sombra [organizado pela Pedra Angular], desenvolvida em estreita articulação com parceiros de Portugal, Espanha e Hungria. O projeto beneficiou da colaboração da Sociedade Portuguesa de Inovação e dispõe de um orçamento aproximado de 330 000 euros, distribuído pelos três países, a que corresponde um financiamento comunitário de cerca de 200 000 euros.

 

Como será concretizado?
O projeto tem a duração de três anos, com atividades centradas no Alentejo, na região de Albarracín, em cuja serra nasce o Tejo, e numa das capitais mais cosmopolitas da Europa Central, Budapeste. Três territórios distintos, mas complementares. Além dos trabalhos de investigação no terreno, estão programados concertos, exposições, residências, seminários e publicações. Prevê-se a integração de meia centena de cientistas, tecnólogos, artistas e jornalistas. A parceria é coordenada, a partir do Alentejo, pela ONG Pedra Angular, tendo como parceiros a Fundación Santa María de Albarracín, do governo de Aragão, e o 4D Sound Institute, cuja atividade se reparte entre Budapeste e Berlim.

 

Que comentário lhe merece o facto de o Alentejo receber o único projeto do programa Europa Criativa coordenado por Portugal?
A nossa região tem vindo a ganhar protagonismo como um território apto a evoluir rapidamente sem perder a identidade, convergindo, do ponto de vista da inovação, com o que de mais interessante se faz noutros pontos da Europa. Este projeto coloca Portugal na vanguarda de um setor muito dinâmico das indústrias criativas e do empreendedorismo e permite consolidar, de modo estratégico, o esforço que tem vindo a ser feito para afirmar o Alentejo como um destino de arte e natureza. É também um passo gigantesco para instalar aqui um hub digital. Abriu-se uma porta decisiva para a internacionalização, sem a qual não existe futuro. 

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