Diário do Alentejo

Doentes oncológicos de Beja fazem radioterapia em Lisboa e Faro

19 de setembro 2026 - 08:00
Tribunal de Contas terá rejeitado procedimento concursal para concessão do serviço
Foto | Ricardo Zambujo/ArquivoFoto | Ricardo Zambujo/Arquivo

Devido à interrupção do serviço de radioterapia em Évora, os doentes oncológicos do Alentejo estão a ser transferidos para unidades fora da região. No caso dos utentes acompanhados pela Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, os tratamentos estão a ser realizados em Lisboa e Faro.

 

Texto Nélia Pedrosa

 

Os doentes oncológicos acompanhados pela Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (Ulsba) estão, desde o mês de julho, a serem encaminhados para Lisboa e Faro para realizarem os seus tratamentos de radioterapia, devido à interrupção do serviço no Hospital do Espírito Santo, em Évora, que assegurava, desde 2009, uma resposta em toda a região Alentejo. Segundo avançou a Ulsba ao “Diário do Alentejo”, os “doentes continuam a ser referenciados inicialmente para o Hospital de Évora, que gere o posterior agendamento dos doentes para unidades de radioterapia em Faro e Lisboa”. A referida unidade local de saúde sublinha que os doentes da Ulsba “sempre realizaram radioterapia fora da sua área de residência, uma vez que o serviço está centralizado em Évora”. Na segunda-feira, numa pergunta dirigida à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, referente à “interrupção do serviço de radioterapia em Évora e transferência de doentes oncológicos para unidades fora do Alentejo”, os deputados do PS eleitos pelos círculos de Évora, Portalegre e Beja, respetivamente, Luís Dias, Luís Testa e Pedro do Carmo, adiantam que “decorridos cerca de 17 anos desde a entrada em funcionamento da unidade [em Évora] tornava-se, em 2026, imperiosa a substituição e modernização dos seus equipamentos, nomeadamente, dos aceleradores lineares, indispensáveis à continuidade da prestação de tratamentos de radioterapia” e que, neste contexto, foi lançado um procedimento concursal para a concessão da exploração da Unidade de Radioncologia da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central, incluindo a prestação dos respetivos serviços de saúde”. De acordo como os parlamentares, “a concessão da unidade terá sido atribuída, em maio de 2026, à empresa Atrys Portugal Centro Médico Avançado”, contudo, “segundo as informações disponíveis, o procedimento concursal deveria ter sido lançado como concurso internacional, mas terá sido realizado apenas como concurso nacional”, sendo que “o Tribunal de Contas terá rejeitado o procedimento já após o início das obras e da instalação dos novos equipamentos, circunstância que terá contribuído para uma situação de bloqueio e incerteza quanto à continuidade do projeto”.Assim, os deputados pretendem saber “qual é, neste momento, a situação jurídica e administrativa do procedimento concursal para a concessão da exploração da Unidade de Radioncologia da ULS do Alentejo Central, anunciado em 25 de fevereiro de 2026 e posteriormente adjudicado à Atrys”. Luís Dias, Luís Testa e Pedro do Carmo questionaram ainda a ministra sobre “a previsão do Governo e da ULS do Alentejo Central para a conclusão deste processo e para a entrada em funcionamento de uma unidade de radioterapia em Évora”, “durante quanto tempo prevê o Governo que os doentes oncológicos do Alentejo tenham de continuar a realizar tratamentos de radioterapia em Lisboa ou noutras regiões do País” e “que solução definitiva pretende o Governo assegurar para garantir que o Alentejo dispõe, com estabilidade e continuidade, de uma resposta própria de radioterapia, evitando que os seus doentes oncológicos continuem dependentes de unidades localizadas a centenas de quilómetros da sua residência?”.A concluir, os parlamentares referem que “os doentes oncológicos do Alentejo não podem permanecer numa situação de incerteza quanto ao local onde irão realizar os seus tratamentos, nem podem continuar a suportar, por tempo indeterminado, deslocações longas e particularmente penosas numa fase em que deveriam poder concentrar-se exclusivamente na sua recuperação”. Segundo dizem, “está em causa uma resposta essencial do Serviço Nacional de Saúde e o princípio da equidade no acesso aos cuidados de saúde”.

 

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