Diário do Alentejo

Cuba inaugura edifício de resiliência climática

07 de agosto 2026 - 08:00
Projeto apresenta capacidade de reutilização de água e poupança de energia
Foto | CM CubaFoto | CM Cuba

Antiga escola pré-primária de Cuba é agora o Espaço C, um laboratório vivo de inovação ambiental, sustentabilidade e participação comunitária, podendo o conhecimento gerado a partir dos dados recolhidos neste projeto de adaptação climática virem a ser replicados em edifícios públicos e privados.

 

Texto José Serrano

 

É hoje inaugurado na vila de Cuba um edifício piloto no âmbito do projeto europeu “Urban Regenerative Water Avant-garde” (“Urwan”), constituindo-se o mesmo como “uma intervenção pioneira de adaptação climática, regeneração urbana e gestão sustentável da água”, refere a câmara municipal local em comunicado de imprensa enviado ao “Diário do Alentejo” (“DA”). A cerimónia assinalará “a conclusão de uma intervenção inovadora”, na qual participaram a autarquia, a Make it Better – Associação para a Inovação e Economia Social e a Associação de Municípios do Alentejo Central (Amcal), através da transformação de uma antiga escola pré-primária “num espaço demonstrador” de saídas para enfrentar “alguns dos principais desafios ambientais da região”, nomeadamente, a escassez hídrica, o aumento das temperaturas e a necessidade de tornar os edifícios e espaços urbanos mais inclusivos e resilientes às alterações climáticas. O edifício integra diversas Soluções Baseadas na Natureza (SbN), incluindo uma zona húmida construída para tratamento e reutilização de água, um jardim de chuva, sistemas de recolha e infiltração de águas pluviais, um telhado verde, áreas ajardinadas e outras infraestruturas destinadas a melhorar o conforto térmico, promover a biodiversidade e reduzir o consumo de água potável. Uma das características mais inovadoras da intervenção consiste na capacidade do edifício produzir e reutilizar água localmente para usos não potáveis, demonstrando de forma prática como os princípios da economia circular podem ser aplicados à gestão dos recursos hídricos em territórios sujeitos a fenómenos de seca prolongada. Em declarações ao “DA”, o presidente da Câmara Municipal de Cuba, João Duarte Palma, sublinha que “a mais-valia deste tipo de projetos” é a possibilidade de recolha de dados e a mensurabilidade de “soluções de mitigação dos efeitos perversos das alterações climáticas baseadas na natureza”. Alternativas, entre outras, que passam, neste edifício, quer pela reutilização de águas pluviais, armazenando-as no inverno para serem utilizadas no verão em regas e em descargas de autoclismo, quer pela “redução da inércia térmica” do edifício, o que permitirá a estabilização do ambiente interno, reduzindo a temperatura interior no estio, proveniente de picos de calor, e retendo o aquecimento nos meses mais frios. Desta forma o imóvel será mais do que um projeto de demonstração, uma vez que se pode vir a constituir como um exemplo prático e exemplificativo da praticabilidade deste tipo de respostas “capazes de virem a ser replicadas noutros edifícios”, públicos e privados. “Tendo em conta que a nossa região é particularmente afetada pelas alterações climáticas, há uma consequente necessidade de resiliência do território às mesmas. Por isso é importante que percebamos até que ponto é viável a utilização destes recursos nas futuras intervenções que façamos”, sublinha o autarca.Nesse sentido “é essencial, também”, frisa o edil, “que as empresas percebam o potencial comercial existente neste tipo de soluções”, que não passam “só por uma questão de estética ou de moda”, mas que possibilitam, ainda, reduzir o consumo de água e de eletricidade “pela menor utilização de ares condicionados, ao longo do ano”, tornando, ao mesmo tempo, os edifícios intervencionados “mais embelezados e aprazíveis”, com jardins nos terraços das moradias ou nas coberturas planas dos prédios.Edifício “muito visitado” ainda antes da inauguração Para além da componente ambiental, o edifício reforça a sua vocação pedagógica, colaborativa e comunitária, passando a designar-se por Espaço C (Centro de Inovação Social e Sustentabilidade), “concebido para funcionar como um verdadeiro laboratório vivo”, que permitirá a realização de “atividades de educação ambiental, sensibilização para o uso eficiente da água e demonstração de boas práticas de sustentabilidade junto de municípios e entidades públicas, mas também de cidadãos e escolas”.Por este conjunto de valências proporcionado pelo projeto “Urwan”, que reúne parceiros de vários países mediterrânicos e promove abordagens inovadoras para a gestão sustentável da água e a regeneração urbana baseada na natureza, o edifício, ainda antes da sua inauguração, tem sido “muito visitado” por responsáveis de várias autarquias e associações ambientalistas de vários pontos do País, “para perceber o que se está ali a fazer”, informa João Duarte Palma. “É gratificante, e não deixa de ser um orgulho, compreendermos que em Cuba, um ‘micro município’, conseguimos fazer este tipo de intervenções, que não se esgota só no território, dando um passo mais naquilo que é a inovação no combate às alterações climáticas”, conclui o autarca.

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