Diário do Alentejo

Odemira averigua legalidade em imóvel do ministro da Administração Interna

17 de julho 2026 - 08:00
Empreiteiro contratado foi responsável por obras na PJ
Foto | Ricardo ZambujoFoto | Ricardo Zambujo

A Câmara Municipal de Odemira está a verificar a legalidade das obras realizadas num imóvel particular do ministro da Administração Interna, Luís Neves, na freguesia de São Teotónio. Perante as suspeitas de eventuais “operações urbanísticas irregulares”, a autarquia afirmou, em declarações à “Lusa”, que está a desenvolver os procedimentos necessários para apurar a situação, procedendo em “conformidade para verificar a legalidade destas mesmas operações urbanísticas efetuadas neste local”, tratando “deste assunto de acordo com os trâmites legais para casos desta natureza”. Recorde-se que na última sexta-feira, dia 10, o semanário “Nascer do Sol” noticiou que o referido ministro contratou uma empresa anteriormente responsável por obras na Polícia Judiciária (PJ), quando Luís Neves era diretor nacional, para remodelar um imóvel que detém em Odemira. Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor já confirmado pelo ministro da Administração Interna. Questionado sobre o caso, Luís Neves esclareceu que durante mais de 70 por cento do período em que a empresa trabalhou para a PJ ainda não conhecia o empreiteiro, acrescentando que só o conheceu durante a inauguração de uma obra. Relativamente à remodelação do imóvel particular, Luís Neves disse que começou por pedir uma opinião técnica ao amigo e acabou por contratá-lo para executar os trabalhos. Afirmando estar de consciência tranquila, o governante garantiu não existir qualquer favorecimento no preço da empreitada e afirmou estar disponível para apresentar as faturas, registadas no portal e-fatura e declaradas à Autoridade Tributária, justificando que ainda não o fez por falta de oportunidade. As obras abrangem, segundo explicou, “uma parede, uma casa de banho e um alpendre”, onde foi instalado um tanque, devendo representar um custo entre “os 20 mil ou 30 mil euros”, a liquidar após a conclusão dos trabalhos. Questionado se se arrepende da contratação, Luís Neves respondeu: “Sabendo o que sei hoje, naturalmente, o percurso teria sido diferente, sem nunca renegar a amizade” ao referido empreiteiro.

“Lusa”

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