Diário do Alentejo

Beja acolheu a 3.ª Cimeira Mundial de Enoturismo

05 de junho 2026 - 08:00
Foto | Ricardo ZambujoFoto | Ricardo Zambujo

Potenciar a região do Baixo Alentejo ao nível vínico e turístico além-fronteiras, alavancando, assim, as potencialidades de Portugal, foi o mote que levou à realização da 3.ª Global Summit on Responsible Enotourism, “um dos principais eventos internacionais dedicados ao enoturismo e à gastronomia” e o primeiro a realizar-se numa cidade europeia. A iniciativa contou com 244 inscritos, 60 oradores e 400 reuniões de vendas.

 

Texto  Ana Filipa Sousa de Sousa

 

“Podemos não ter nascido no Alentejo, mas há sempre um momento da vida em que queremos ser alentejanos, e eu espero que todos vós, depois destes três dias, queiram ser um pouco alentejanos”. Foi desta forma que Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, encerrou a 3.ª Global Summit on Responsible Enotourism (GTWO), evento que decorreu em Beja, entre segunda e quarta-feira, dias 1 e 3.A iniciativa, promovida pela GWTO – Global Wine Tourism Organization em parceria com a Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, reuniu “especialistas internacionais em enoturismo, bem como produtores de vinho, operadores turísticos, entidades públicas, investidores e académicos do setor, de vários países da Europa, América do Sul e do Norte, Ásia e Oceânia”.Em declarações ao “Diário do Alentejo” (“DA”), o responsável pela ERT do Alentejo, José Manuel Santos, admitiu que o evento tinha como objetivo “projetar o Alentejo e, muito particularmente, o Baixo Alentejo”, através do enoturismo enquanto “produto turístico estratégico da região”.“Nós, no enoturismo do Alentejo, temos sustentabilidade, cultura, arte contemporânea, música, educação [e] gastronomia. O enoturismo é uma forma de transformarmos o nosso território pela qualidade dos projetos empresariais, a montante da qualidade do vinho que é fortíssima, e de torná-lo mais coeso e competitivo”, garantiu.De acordo com o presidente, a cimeira era “o evento da programação da ‘Cidade Europeia do Vinho’ com maior capacidade de projeção nacional e internacional”, e, tendo em conta os 244 inscritos, foi uma meta “acertada”. “Tivemos sempre uma média de 100 pessoas na sala, entre especialistas de enoturismo de dimensão mundial, investigadores e líderes regionais, de 23 nacionalidades, mais de 60 oradores, portanto, essa componente de projeção e reconhecimento do Alentejo como destino de enoturismo creio que foi alcançado”, analisou.Paralelamente, para além da parte “de conhecimento e literacia”, José Manuel Santos destacou a componente de negócios, que permitiu realizar um seminário de vendas com a participação de 16 operadores oriundos de Holanda, Inglaterra, França, Espanha e Alemanha e de 40 empresas – “não exclusivamente do Alentejo, mas com 80 por cento de hotéis e adegas da região” –, que culminou em “mais de 400 reuniões de prospeção e oportunidades de negócio”. Este contexto, segundo o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, mostrou que a cimeira vem alterar a perceção de que a indústria do turismo no País está “muito litoralizada e concentrada em dois ou três destinos” e que “Portugal vale por ser um país inteiro”.“Portugal tem 252 castas autóctones, o que faz com que seja um dos países mais competitivos do mundo. Um dos gigantes com quem concorremos é a África do Sul, que só tem duas castas autóctones, por isso, é muito importante reforçarmos aquilo que é o nosso terroir, [porque] o nosso terroir é o nosso ADN e aquilo que nos torna singulares e diferentes do resto do mundo”, aludiu. De acordo com o secretário de Estado, “Portugal tem feito um esforço nos últimos anos para se posicionar como o melhor destino de enoturismo do mundo” e, por isso, é necessário continuar a trabalhar na estruturação do setor vínico enquanto produto turístico. O evento englobou, também, sessões internacionais sobre enoturismo sustentável, fóruns académicos, workshops e reuniões, visitas técnicas a adegas, apresentações de casos de sucesso, debates, sessões de vendas de produtos e concertos.Neste âmbito, foi também lançado o Festival Alentejo Autêntico, uma iniciativa destinada à promoção internacional da região, onde serão “convidados jornalistas nacionais e internacionais” e “operadores turísticos internacionais especializados em enoturismo”.“Isto é o nosso trabalho de marketing e promoção, tentar, cada vez mais, posicionar o Alentejo nestes nichos de mercado. Um reconhecimento muito grande”, afirmou José Manuel Santos, acrescentando que, no total, serão apresentados 12 concertos distribuídos por diferentes territórios alentejanos.Os primeiros aconteceram durante a cimeira, nos dias 2 e 3, com os Bandidos do Cante e o Grupo Coral Os Vindimadores da Vidigueira, na Herdade do Sobroso (Vidigueira), e com os Descendentes e o Grupo Coral da Casa do Povo de Nossa Senhora das Neves, na Herdade da Malhadinha Nova (Beja). O próximo espetáculo está agendado para o dia 6 de setembro, com Luís Trigacheiro na Quinta do Paral, em Vidigueira. Para o presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, a realização deste congresso em Beja reforça “a centralidade” da cidade e mostra “aquilo que nós temos de melhor”. “O mundo conhece Portugal, mas não conhece o Alentejo e nem conhece Beja. E é precisamente nesse eixo fundamental, que é conhecer o Alentejo e Beja, que está parte do nosso futuro e do equilíbrio, [ou seja] o mundo reconhecer em nós aquilo que há tanto tempo sabemos que temos”, afirmou, ao “DA”, o autarca.Beja foi a primeira cidade europeia a receber uma edição da GWTO, seguindo-se, no próximo ano, a sua realização em Santiago de Querétaro, no México.

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