Proximidade, capacitação e cooperação. São estes os três eixos estratégicos que, segundo António Grade, vão definir os próximos quatros anos do seu mandato à frente da delegação distrital de Beja da Associação Nacional de Freguesias (Anfre).Em declarações ao “Diário do Alentejo”, o presidente da Junta de Freguesia de São Matias, no concelho de Beja, afirma que a sua candidatura e, consequentemente, eleição no passado dia 16, resulta da sua “experiência acumulada” enquanto membro do conselho diretivo distrital e da necessidade de se ter de continuar com “uma liderança próxima”.“Nos últimos quatro anos acompanhei as dificuldades e as oportunidades que os autarcas enfrentam diariamente num território tão vasto como o nosso. [Por isso], num momento em que os desafios do poder local são cada vez mais exigentes, desde a descentralização de competências à necessidade de reforçar a coesão territorial, acredito que é fundamental uma liderança próxima num distrito que, em termos de área, é o maior de Portugal”, assegura.Para o autarca, que apresentou uma lista única que conta como vice-coordenadores os presidentes da União de Freguesias de Castro Verde e Casével, António José Paulino (PS), e da Junta de Freguesia de São Luís, Manuel Campos (CDU), é necessário reforçar o papel das freguesias através da escuta dos autarcas de forma a “procurar garantir melhores condições de funcionamento para as freguesias e assegurar a sua representatividade nos processos de decisão”, assim como promover “uma maior articulação entre freguesias, municípios e entidades regionais”. Paralelamente, prossegue o professor de 50 anos, é também fundamental “defender a cobertura de todo o território com fibra ótica, de forma a fixar pessoas e facilitar o acesso a informação e serviços”, e “apostar na formação dos autarcas e colaboradores” no que diz respeito à modernização administrativa e à transição digital.“O nosso compromisso deve ser claro, reforçar o papel das freguesias como agentes ativos de desenvolvimento local, coesão territorial e geradores de qualidade de vida para as populações”, reforça.Questionado quanto às preocupações atuais das autarquias, António Grade garante que “são várias”, porém, admite que a escassez de recursos financeiros e humanos que “limita a capacidade de resposta das juntas”, a necessidade de modernização e simplificação administrativa e o despovoamento e o envelhecimento demográfico são aquelas que, para já, são mais inquietantes.“Sem pessoas há menos iniciativa, menos investimento e maior risco de abandono do território. Já o envelhecimento da população aumenta a pressão sobre os serviços de proximidade, como o apoio social, os cuidados domiciliários e a mobilidade, exigindo mais recursos às juntas, muitas vezes sem o devido reforço de meios”, recorda.O socialista assume, assim, que os próximos quatro anos serão de “trabalho exigente e compromisso com as freguesias do distrito de Beja”, prometendo “uma estrutura presente e eficaz no apoio aos eleitos locais e às suas populações”.A lista encabeçada por António Grade contou com 51 votos, estando associadas 77 freguesias. AFSS