Diário do Alentejo

“População de Mértola nunca irá permitir” instalação de campo de tiro da Força Aérea

25 de janeiro 2026 - 08:00
Câmara “insiste” em querer saber se concelho está, ou não, a ser considerado como hipótese pelo Governo

Ministério da Defesa continua a afirmar que, “presentemente, não existe qualquer decisão tomada” em relação à instalação de um campo de tiro da Força Aérea Portuguesa em substituição do atualmente existente em Alcochete. Câmara de Mértola insiste numa resposta objetiva.

 

Texto | Nélia PedrosaFoto | Ricardo Zambujo

 

O presidente da Câmara Municipal de Mértola “insiste” em querer saber se o Governo está, ou não, a equacionar a instalação de um campo de tiro da Força Aérea Portuguesa (FAP) no concelho, em substituição do atualmente existente em Alcochete. Recorde-se que no passado dia 9, a autarquia, em comunicado de imprensa, dava conta de que, “apesar das diligências efetuadas desde novembro do ano passado”, continuava sem receber “qualquer comunicação oficial ou esclarecimento formal por parte do Governo ou das entidades competentes relativamente às notícias que apontam para a eventual instalação de um campo de tiro” na região. Entretanto, revela Mário Tomé ao “Diário do Alentejo” (“DA”), o Ministério da Defesa Nacional respondeu na semana passada, no dia 13, sem, no entanto, “esclarecer objetivamente se o território de Mértola está, ou não, entre as opções que possam estar a ser analisadas”, “sem o conteúdo que Mértola quer ver clarificado”. Por isso, reforça, “Mértola continua sem resposta”. De acordo com o autarca, o ministério limitou-se a afirmar que, “presentemente, não existe qualquer decisão tomada” e que, “até ao momento, não há nenhuma alteração que permita resposta diferente”. Na resposta recebida é feito referência, ainda, a um eventual contacto com as autarquias apenas “na fase de consolidação de uma decisão”, o que preocupa a câmara municipal, que defende que “qualquer reflexão com esta dimensão e sensibilidade deve envolver o poder local desde as fases iniciais”. Mário Tomé sublinha, também, que a resposta “não se encontra assinada por qualquer responsável ou entidade identificada, o que reforça a necessidade de um esclarecimento formal, claro e institucionalmente assumido”. Perante esta “não resposta”, a câmara enviou novo email ao Ministério da Defesa, em que questiona “de forma direta se o concelho de Mértola está, ou não, a ser considerado como hipótese para a eventual instalação de um futuro campo de tiro, tendo em conta as notícias e informações que têm circulado publicamente”. No mesmo email, a autarquia chama a atenção do ministério “para o impacto desta falta de clareza”, sublinhando que “a ausência de uma resposta objetiva tem alimentado a especulação pública e a incerteza junto das populações”, criando “uma situação que o município considera cada vez mais difícil de gerir do ponto de vista institucional”.Ao “DA” Mário Tomé garante que a “população de Mértola nunca irá permitir” a instalação do eventual campo de tiro e pede que “o distrito se associe” e que os três deputados eleitos pelo círculo de Beja – António Carneiro (Chega), Pedro do Carmo (PS) e Gonçalo Valente (PSD) – “se pronunciem” sobre a matéria. Há muito que se fala, na imprensa, na possibilidade de o campo de tiro de Alcochete ser transferido para a zona entre Serpa e Mértola. Em fevereiro do ano passado, em sede da comissão parlamentar da Defesa, o ministro da tutela, Nuno Melo, dizia que o Governo ainda não tinha uma decisão tomada sobre a relocalização do campo de tiro de Alcochete, mas garantia que as autarquias seriam ouvidas nesse processo. Sobre a matéria, o governante referia na ocasião: “Não temos Mértola como localização, nem Bragança, nem Famalicão, nem nenhum outro ponto do País, não há nenhuma decisão tomada”. E adiantava que o Governo iria solicitar “os estudos necessários que do ponto de vista técnico, científico e militar” permitam escolher uma localização, algo que não seria feito sem envolver os autarcas. O “DA” tentou ainda ouvir o presidente da Câmara Municipal de Serpa, Francisco Picareta, assim como obter alguns esclarecimentos sobre a matéria junto do Ministério da Defesa, mas sem sucesso até ao fecho da presente edição.

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