Bandidos do Cante, Beja, 2023
O grupo de cinco jovens alentejanos – Luís Aleixo, Duarte Farias, Francisco Pestana, Miguel Costa e Francisco Raposo – faz do cante um lugar de encontro com o presente. Tendo iniciado o seu percurso ao lado de Buba Espinho e dos D.A.M.A, depressa se afirmaram com “Amigos Coloridos”, single de estreia que se torna, em 2024, um dos grandes sucessos das rádios nacionais. Em 2025, foram nomeados na categoria “Artistas Revelação” nos “Prémios Play da Música Portuguesa”.
Depois de revelarem a aguardada colaboração com António Zambujo no tema “Primavera”, os Bandidos do Cante apresentaram, recentemente, “Bairro das Flores”, o álbum de estreia do grupo.
Como nos apresentam este vosso disco de estreia, “Bairro das Flores”?
“Bairro das Flores” é um álbum inspirado no Alentejo e nas várias formas de ver e sentir o amor. Procurámos contar histórias com que as pessoas se identifiquem, pela sua simplicidade quotidiana. O disco conta com a colaboração de vários amigos, artistas que convidámos para criar ou para interpretar uma canção.
Balançando as vossas músicas entre o cante e o pop, inventaram os Bandidos do Cante um novo género musical?
Achamos que não inventámos nada, simplesmente misturámos aquilo que é o tradicional e tentámos melhorá-lo, à nossa maneira, procurando dar-lhe uma identidade própria e atribuindo-lhe novas características que vêm das vivências de todos nós.
Com o disco pronto, quais os planos que têm para o apresentar ao vivo?
Tivemos já o gosto de tocar algumas das músicas antes de o álbum sair, de forma a “sentir o público” e a poder melhorá-las “na estrada”. Gostaríamos de fazer alguns concertos com convidados, de forma a dar às pessoas espetáculos únicos com “sabor” a Alentejo. Já concretizámos um dos grandes objetivos, dando dois concertos de apresentação da primeira parte do álbum, no Pax Júlia Teatro Municipal, em Beja. O álbum será finalizado com uma versão deluxe, que será lançada no decorrer deste ano e que incluirá algumas surpresas.
Os Bandidos do Cante são a mais recente revelação musical de Beja para o “mundo”. Sendo a cidade tão profícua em talentos musicais, o que consideram ser importante apoiar para que este caudal sonoro vitorioso continue?
Todos nós tivemos o privilégio de aprender o cante na sua forma mais pura, através dos nossos familiares e amigos. Passámos por este processo de aprendizagem e desenvolvemo-lo, depois, no projeto de cante nas escolas, no qual estivemos inseridos por alguns anos. É importante que este tipo de iniciativas se mantenha, desenvolva e prospere, de forma a dar continuidade a este património cultural que tanto nos diz.
Qual o cenário ideal para ouvir este disco pela primeira vez?
O importante não é o sítio onde a nossa música é ouvida mas, sim, para onde nos transporta.
Tal como dizem do amor: não há disco como o primeiro?
Exatamente por ser o primeiro, este é um disco especial, mas temos muita vontade de fazer mais música e de a partilhar com todos.
José Serrano