Três Perguntas a Luís Mestre, fundador e coordenador da Rede MeteoAlentejo – Associação de Metereóloga
A propósito da comemoração do 15.º aniversário da Rede MeteoAlentejo, o “Diário do Alentejo” (“DA”) conversou com o fundador e coordenador da associação, Luís Mestre, sobre o que significa para o Alentejo esta rede, a mudança de pensamento relativamente à importância de se “saber o tempo”, assim como a capacidade da MeteoAlentejo progredir durante os próximos 15 anos.
Texto José Serrano
Comemora-se neste ano o 15.º aniversário da MeteoAlentejo. O que tem significado para o Alentejo a presença, na região, desta rede, ao longo dos seus 15 anos de existência?Estes 15 anos representam, acima de tudo, a criação de algo que até então não existia: uma rede regional de estações meteorológicas que abrange todos os concelhos do Alentejo, com disponibilização gratuita e em tempo real a toda a população.
Considera que a perceção acerca das vantagens da meteorologia, de se “saber o tempo”, é hoje distinta da que existia antes desta rede, nomeadamente, para as comunidades do Alentejo onde a MeteoAlentejo está presente?Sim, sem dúvida. Antes da criação da rede MeteoAlentejo a região apenas possuía estações meteorológicas nas capitais de distrito e em poucos mais concelhos, o que não dava uma ideia exata das condições meteorológicas em cada localidade. Hoje, com estes equipamentos espalhados por toda a região, as pessoas sabem que o que chove [valores de precipitação], por exemplo, em Beja, é, por vezes, muito diferente do que chove em Alvito, e sabem que há dias em que Mértola é mais quente do que a Amareleja. As populações, hoje, sabem que as condições meteorológicas na sua localidade podem ser muito distintas da localidade que fica a pouco quilómetros de distância. Prova disso foi o que aconteceu na freguesia de Brinches, em junho de 2024, onde a precipitação foi superior a 120mm, e em Serpa (a 10 quilómetros de distância) não chegou aos 25mm. Todo este conhecimento é possível graças à grande cobertura da rede MeteoAlentejo.
Como perspetiva a capacidade de a MeteoAlentejo progredir, digamos, durante os próximos 15 anos?Eu costumo dizer que criar é “fácil”, manter é o mais difícil. A margem de progressão não é muita, uma vez que todas as sedes de concelho estão cobertas pela rede MeteoAlentejo. Poderá acontecer, sim, (e está previsto para os concelhos de Mértola e Moura), é o aumento da cobertura ao nível das freguesias. O grande desafio vai ser continuar a manter esta rede operacional e a melhoria contínua dos equipamentos existentes – aqui temos a confiança de que podemos continuar a contar com as instituições da região para fazermos este trabalho em conjunto.