Elevada afluência de doentes complexos, sobrelotação e equipas médicas reduzidas levaram a constrangimentos nos serviços de Urgência Médico-Cirúrgica de Adultos e de Urgência Obstétrica e Ginecológica e Bloco de Partos do hospital de Beja.
Texto | Nélia Pedrosa
A afluência ao serviço de Urgência Geral do hospital de Beja está a regressar aos valores médios habitualmente registados na época de inverno, depois dos constrangimentos verificados na semana passada devido à “elevada afluência de doentes complexos e sobrelotação do serviço”, garantiu, ao “Diário do Alentejo”, a diretora clínica para a área dos Cuidados de Saúde Hospitalares. “Andamos à volta dos 120, 130 atendimentos por dia. No dia 29 de dezembro foram 188. No dia 2 de janeiro, em que tivemos a Urgência referenciada, e, em teoria, teríamos menos doentes a vir ao serviço, tivemos 170 atendimentos”, refere Vera Guerreiro.“No dia 2 atendemos 50 por cento a mais do que a nossa média normal. Cinquenta por cento a mais naquele espaço, que já é muito limitado, torna as coisas difíceis para todos, sobretudo, para os doentes”, reforça o presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (Ulsba), José Carlos Queimado. Recorde-se que entre as 08:00 horas do passado dia 4 e as 08:00 horas do dia 6 o serviço de Urgência Médico-Cirúrgica de Adultos apenas recebeu doentes referenciados, encaminhados pelo CODU/INEM, linha de apoio SNS 24 ou outros médicos. “Houve um primeiro anúncio [de Urgência referenciada] em que a equipa médica que tínhamos disponível estava reduzida, ou seja, tínhamos todas as valências e estávamos a dar resposta em todas as especialidades, mas como a equipa estava reduzida obrigou-nos a colocar a Urgência referenciada, e, depois, tendo em conta o pico de atendimentos e internamentos por causa da gripe, acabámos por ficar com uma sobrelotação de espaço na Urgência e acabámos por fazer um [outro] anúncio de Urgência referenciada, [apesar] de termos as equipas completas, para tentar, mais uma vez, limitar o número de pessoas que acorressem à Urgência com coisas ligeiras, para conseguirmos dar resposta [às outras ocorrências]”, esclarece Vera Guerreiro, sublinhando, no entanto, que ainda não foi possível “resolver o conjunto de internamentos extra que foram feitos nestes dias e que obrigaram, inclusivamente, a suspender alguma atividade programada de forma a conseguir internar esses doentes e a retirá-los da Urgência”. Também “alguma atividade cirúrgica” ainda está a ser “condicionada”, contudo, a normalidade “está a ser retomada aos poucos”.No que à atividade gripal diz respeito, a diretora clínica avança que “as indicações da Saúde Pública” apontam para um decréscimo dos casos, ou seja, “já teremos passado o pico”. “São sempre previsões, valem o que valem, mas essa é a expectativa. [Mas] ainda estamos todos muito calculosos, estamos no início da descida”. Também na Urgência Obstétrica e Ginecológica e Bloco de Partos se verificaram constrangimentos devido à impossibilidade de “completar a escala médica”, levando ao seu encerramento entre as 20:00 horas do dia 10 e as 08:00 horas do dia 11 e entre as 20:00 horas do dia 11 e as 08:00 horas do dia 12. Neste caso, justifica Vera Guerreiro, “tem a ver com a dificuldade crónica em preencher a escala, e como estamos muito dependentes de prestadores de serviços, nestas alturas do ano é mais difícil ter as escalas completas. Tivemos sempre um obstetra na instituição para as grávidas que estavam internadas, porque isso tem de ser assegurado. [Este fecho] já tinha acontecido durante o ano [de 2025], se calhar, três ou quatro períodos de 12 horas, mas, efetivamente, ocorreram. [Este hospital] não é caso único, mas aqui o impacto é grande, porque somos a única maternidade em 3800 quilómetros quadrados”. Assim sendo, refere, “há sempre o risco disto voltar a acontecer”. “São dois colegas [no quadro], temos a esperança que se junte agora a nós uma terceira colega... Todos os outros obstetras colaboram em regime de prestação de serviço”.
Conselho de administração terminou mandatoO conselho de administração da Ulsba é um dos 10 que terminou o mandato no dia 31 de dezembro último, aguardando-se, assim, a designação da nova equipa diretiva pelo Conselho de Ministros, não havendo para já, segundo informação oficial prestada ao “DA”, confirmações quanto à mesma. José Carlos Queimado recorda que, desde o início, a intenção foi sempre cumprir um só mandato. “Isso ficou claro. Fizemo-lo o melhor que podíamos e sabíamos. Queríamos fazê-lo com o máximo empenho e compromisso. Acho que o fizemos. Com boas decisões, com decisões menos boas. São funções muito desgastantes, consomem-nos muito e acho que é bom haver uma renovação, para que venham pessoas mais frescas e com mais energia para enfrentarem estes desafios que são importantes”. Apesar de terminado o mandado, o conselho de administração “continua em exercício de funções” até ser substituído, o que, espera o presidente, “não demore muito tempo, porque é importante para as organizações terem as suas lideranças estabilizadas”.