Há alunos do distrito de Beja que ainda estão “sem um ou mais professores”. A solução, segundo o sindicato, passa pela “valorização da carreira docente”.
Texto | Nélia Pedrosa
A sensivelmente duas semanas do fim do primeiro período escolar, “entre 300 e 350” alunos do distrito de Beja ainda estão “sem um ou mais professores”, segundo dados avançados ao “Diário do Alentejo” pelo presidente da direção do Sindicado dos Professores da Zona Sul (SPZS).
De acordo com Manuel Nobre, o Agrupamento de Escolas de Almodôvar é o “que tem, neste momento, mais horários a concurso”, sendo ainda de destacar escolas de Aljustrel, Amareleja (Moura) e Colos (Odemira). Ao nível do Alentejo, os distritos de Beja e Portalegre são os mais “afetados”. A escassez de docentes resulta, “acima de tudo, da falta de atratividade da profissão”, justifica o responsável.
“Os jovens não ingressam nos cursos de formação de professores ou ingressam em número muito reduzido, em comparação com as aposentações que ano após ano vão acontecendo. Aliás, [segundo] dados do Ministério da Educação, em média, nos próximos 20 anos, vão-se aposentar cerca de quatro mil professores por ano. Nos últimos anos, a nível nacional, o número de licenciados no ensino superior ronda os 1300, 1400 alunos. Portanto, estamos a ver que é um problema que está para se gravar caso não sejam tomadas medidas”.
E perante esta falta de professores, sublinha o sindicalista, “as soluções que têm sido encontradas por parte do Governo são mais para a opinião pública e sem tanto reflexo depois na vida das escolas”, designadamente, “a contratação de professores já aposentados, que é uma realidade que tem pouca expressão, a atribuição de um subsídio para a deslocação, mas que é apenas para alguns professores, ou a atribuição de horas extraordinárias àqueles docentes que já estão nas escolas e que, por regra, já estão sobrecarregados de trabalho”.
Frisando que um levantamento efetuado pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) “concluiu que nos últimos anos os docentes, em média, trabalham 48 horas por semana”, Manuel Nobre considera que “atribuir-lhes mais horas extraordinárias vem agravar essa situação”, ainda mais, “tendo em conta que mais de metade dos professores têm mais de 55 anos de idade, [estando] mais vulneráveis a doenças, a desgaste, etc.”.
“Temos aqui um cenário que tende a tornar- -se cada vez mais preocupante”, reforça. O responsável alerta ainda para situações em que professores “de ensino especial” e “de apoio” estão “a ser desviados das suas funções para darem aulas”.
“Como se costuma dizer, quando a manta é curta puxa-se de um lado, destapa-se do outro. E é um bocado isso. Temos relatos de escolas onde há alunos com necessidades educativas e de apoios que estão a ser menorizados, tendo em conta a necessidade de recolocar professores”.
Para Manuel Nobre, a solução passa, assim, “pela valorização da profissão de docente”, sendo, por isso, fundamental rever o Estatuto da Carreira Docente. A concluir, o dirigente sublinha que “a tendência dos últimos anos é, especialmente, a seguir ao Natal, em janeiro, fevereiro, a necessidade de professores aumentar”, ainda que ligeiramente, devido “à sobrecarga de trabalho”, e lamenta que “o próprio Orçamento do Estado, aprovado recentemente, represente um novo desinvestimento na Educação, se compararmos com o ano passado”.