Junta de Freguesia de Ferreira do Alentejo está a funcionar em “gestão limitada”, com a presidente eleita pela CDU, nas Autárquicas de outubro, e uma vogal que transitou do anterior executivo.
Texto | Nélia Pedrosa
Uma vez mais CDU e PS não chegaram a acordo quanto à composição do executivo da junta de freguesia de Ferreira do Alentejo. Na passada sexta-feira, dia 28 de novembro, teve lugar nova assembleia de freguesia, a quarta desde as Autárquicas de 12 de outubro. Em declarações ao “Diário do Alentejo”, João Português, membro da Comissão Coordenadora Concelhia da CDU de Ferreira do Alentejo, adianta que no decorrer da sessão foi apenas eleita “uma mesa de assembleia provisória”, constituída por um elemento da CDU, um do PS e um do Chega, “para a aprovação do orçamento até ao final do ano”, sendo que a CDU e o Chega votaram a favor e “o PS absteve-se”.Esta aprovação, sublinha o responsável, permitirá “apenas dar resposta às despesas correntes, como o pagamento de vencimentos, da eletricidade, as questões do dia a dia, para que a junta funcione e não fique parada”. “Não estamos a falar de obras, nem de grandes opções do plano… Não é possível estando nestas situações”, frisa João Português, reforçando que a CDU quer “arranjar uma solução de acordo com aquilo que foi a vontade da população”. Recorda-se que a CDU – nas Autárquicas a força mais votada, obtendo quatro mandatos, o PS outros quatro e o Chega um – propôs ao PS “uma solução equilibrada e proporcional ao resultado das urnas, um executivo composto pelo presidente da junta (CDU), um eleito do PS e um eleito da CDU”, uma proposta que refletia “com justiça a confiança expressa pelos eleitores e garantia representação coerente com o voto popular”. Nessa proposta “a CDU incluiu para o PS a presidência da mesa da assembleia de freguesia, um cargo de relevo e de grande responsabilidade democrática, fundamental no escrutínio e acompanhamento do trabalho do executivo, o que demonstra a total abertura e espírito de cooperação da CDU”. A proposta foi, no entanto, rejeitada pelos socialistas, que defendiam incluir no executivo “o único eleito do Chega”.Entretanto, o PS, em comunicado enviado ao “DA”, esclarecia que “a lei diz que o partido vencedor fica imediatamente com o presidente da junta, ou seja, a presidente da junta é da CDU conforme resultou das eleições”, e, a seguir, também de acordo com a lei, “os outros dois membros que têm de compor a junta, secretário e tesoureiro, são eleitos pelos nove membros da assembleia de freguesia e, nesta, a CDU só tem quatro membros”. No mesmo documento, referia que, “perante a ausência sistemática de propostas credíveis e a persistência da tentativa da CDU de governar como se tivesse maioria absoluta, o PS desafia a CDU e o Chega a permitir que o povo decida novamente”, acrescentando que “está preparado para ir a eleições e para assumir, com transparência e responsabilidade, o compromisso de devolver estabilidade e governabilidade à freguesia”.O “DA” tentou obter um comentário junto do presidente da Concelhia de Ferreira do Alentejo do PS, mas sem sucesso até ao fim do fecho da presente edição. No entanto, na edição passada, em declarações ao “DA”, Luís Pita Ameixa garantia que se mantinha o que foi veiculado no comunicado de imprensa do PS.Atualmente a Junta de Freguesia de Ferreira do Alentejo está a funcionar em “gestão limitada”, com a presidente eleita pela CDU, Sandra Albino, e uma vogal que transitou do anterior executivo, Sónia Sesinando.