O “Diário do Alentejo” tem vindo a divulgar as diversas interpretações de alguns dos atores políticos da região face às dúvidas suscitadas pela reprogramação financeira do Programa Alentejo 2030, nomeadamente, no que diz respeito à valorização da linha do Alentejo, troço Casa Branca--Beja. Sobre este assunto os três deputados representantes do distrito de Beja apresentam as suas apreciações.
Texto José Serrano
No âmbito das notícias divulgadas nas duas anteriores edições do “Diário do Alentejo” (“DA”) acerca da reprogramação financeira do Programa Alentejo 2030, que reviu, em baixa, de acordo com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), a dotação indicativa inicial para a “modernização, requalificação e eletrificação do troço ferroviário entre Casa Branca e Beja”, passando de 80,6 milhões de euros para uma dotação proposta de 20 milhões, não representando esta redução, considera a entidade, “o abandono do projeto ferroviário”, os deputados eleitos por Beja dão a sua interpretação da medida.O deputado do Partido Social Democrata (PSD), Gonçalo Valente, expondo que contactou, “imediatamente”, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação, logo que tomou conhecimento desta reprogramação – “Assim que recebi essa notícia confesso que fiquei desconfortável por não saber a sua veracidade e, a ser verdade, queria conhecer as razões de tal decisão” –, classifica como “normais”, devido “à exigência do cumprimento de prazos”, a necessidade de se considerarem reprogramações. “Estava, de facto, alocada uma verba a este projeto, contudo, o seu estado de maturidade é muito precoce e existem projetos muito mais adiantados que têm de ser executados no próximo ano [e] nós não íamos precisar da totalidade da verba, para já”. Assim, diz, os 60,6 milhões de euros correspondentes à diferença da dotação indicativa inicial do projeto (80,6 milhões) e a sua revisão em baixa “vão para outros projetos”, sendo que “quando chegar o momento de sermos nós a precisar, como temos já verba garantida”, o montante “estará devidamente disponível”, vindo, “provavelmente, de um outro instrumento financeiro”. Desta forma, considera o deputado do PSD, “esta reprogramação de verbas” não irá colocar “em causa o andamento do processo”, já que, “a restante verba afeta [20 milhões]” servirá para iniciar os primeiros procedimentos. “A nós não nos deve importar a proveniência das verbas para este projeto, deve importar-nos, [sim], que haja verbas”, conclui. Já para Pedro do Carmo, deputado do Partido Socialista (PS), as reprogramações incutem-lhe algumas preocupações, expondo vários exemplos, antes de discernir concretamente sobre o plano ferroviário em causa. Nomeadamente, na área da Saúde, sublinhando que “embora haja garantias” por parte do Governo de que a remodelação do hospital de Beja será uma realidade, o deputado refere que as verbas, destinadas à obra, foram “retiradas do Orçamento do Estado [OE]” para 2026, situação que terá levado o deputado socialista eleito pelo círculo de Beja a apresentar uma proposta de alteração do OE, “de modo a incluir” a empreitada. “E com a eletrificação da linha férrea é precisamente a mesma coisa – o Governo fez um grande alarido, no ano passado, porque era ano de eleições, e agora passadas que estão as eleições já está com uma estratégia de retirar [verbas], a dizer que é uma adequação. Evidentemente que estou preocupado, pois temo que estes projetos voltem a ficar na gaveta”, realça, considerando questionar, “naturalmente, o Governo”, relativamente a esta questão.Também António Carneiro, deputado do Chega que substituiu o parlamentar Rui Cristina, tendo este deixado o hemiciclo para assumir o cargo de presidente da Câmara de Albufeira, após a sua eleição nas Autárquicas, diz estar “muito preocupado com o desinvestimento no Alentejo, especialmente, na ferrovia”, e que esta reprogramação financeira “vai trazer, necessariamente”, menos investimento para a região, prevendo que, com esta redução de verbas, a viabilidade da ligação da linha do Alentejo, “sucessivamente adiada em prejuízo das populações baixo-alentejanas”, ao aeroporto de Beja esteja comprometida. Adianta, ainda, o deputado do Chega que “mantendo os 60,8 milhões, uma vez que já estavam programados, seria possível a reabertura do troço entre Beja e Funcheira, [e] a linha do Alentejo passaria a ser uma redundância nas ligações entre Lisboa e o Sul do País”. Por conseguinte, António Carneiro informa que irá solicitar uma reunião com a CCDR Alentejo, de forma a se “inteirar desta situação”, e que após esta se encontrará “com os senhores diretores da Infraestruturas de Portugal”.