Texto | Aníbal Fernandes
Na edição do último dia de agosto de 1974, o “Diário do Alentejo”, em editorial, revelava que tinham sido “criados cursos nocturnos em 20 liceus” de todo o País e protestava pelo facto de Beja não ter sido contemplada. Esta pretensão, “legítima e justificada” ficava, assim, mais uma vez gorada e acentuava o sentimento de injustiça em relação ao Baixo Alentejo.
Escrevia o articulista: “Sempre neste jornal se manteve uma atitude de constante alerta, de formal discordância, quanto à situação de flagrante injustiça para que Beja – e o seu distrito – tem sido frequentemente relegada em casos que muito interessam ao seu progresso e nos quais deveria merecer tratamento semelhante ao atribuído a outras cidades, a outras regiões.
Dir-se-ia que nas altas esferas governativas ainda não se criou uma noção certa da importância deste distrito, das suas reais potencialidades, do papel influente, se não decisivo, que ele forçosamente há-de ter num Portugal mais próspero.
Para esse critério, errado e pernicioso, muito terá contribuído a passividade, a timidez, dos nossos dirigentes, dos nossos representantes junto do poder central, que, principalmente nos últimos anos, nunca se decidiram pela acção inconformista, enérgica, que as circunstâncias reclamavam, optando por uma tática de submissão e criando, por isso mesmo, um clima de fatalismo que se apossou das massas populacionais, não as levando às reacções que se têm verificado noutros pontos do País, muitas vezes com proveitosos resultados.Não temos a chamada ‘mania da perseguição’. Mas, infelizmente, dispomos de bastos e concretos motivos para afirmar que Beja tem sido esquecida, tem sido preterida, até em muitas situações que deviam dar-lhe prioridade.
Continuará esta ‘regra’ agora que se modificou a linha de orientação do País?
É o que, naturalmente, nos recusamos a admitir, não queremos que venha a verificar-se.No entanto”…
É verdade que a realidade já não é a que era: construiu-se o Alqueva que mudou o paradigma da agricultura em boa parte do Baixo Alentejo; o ensino superior é uma realidade com o Instituto Politécnico de Beja; a autoestrada para o Algarve atravessa o território e aproximou-nos da capital…
Mas há promessas – sempre repetidas – que continuam por cumprir. É o caso da A8 que permitirá uma ligação à fronteira e à Europa, em Vila Verde de Ficalho, mais rápida e segura; do aproveitamento em pleno da infraestrutura do aeroporto; e da eletrificação da ligação ferroviária de Casa Branca a Beja e à Funcheira, cumprindo, aliás, o que está previsto no Plano Ferroviário Nacional (PNF), por exemplo.
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“Assinala-se que o curso de alfabetização, a decorrer na Sociedade Capricho Bejense, por iniciativa de um grupo de jovens estudantes, tem obtido bastante interesse e resultados positivos”. in Zunzuns das Portas de Mértola, 3 de setembro de 1974.
“Sabe-se que está a ter resultados francamente positivos a iniciativa da Câmara de Beja para envio de livros para o povo da Guiné-Bissau”, in Zunzuns das Portas de Mértola, 6 de setembro de 1974.