À semelhança do que se verifica noutras cidades com instituições de ensino superior, também os estudantes que ingressam no Instituto Politécnico de Beja deparam-se com dificuldades em encontrar alojamento. A presidente da associação académica diz que, por um lado, a oferta é pouca e, por outro, os preços praticados “são exorbitantes”.
Jorge Raposo, pró-presidente do IPBeja, sublinha que “as candidaturas a algumas fases do Concurso Nacional de Acesso e dos concursos locais ainda estão a decorrer”, pelo que “a pressão sobre o alojamento disponível em Beja ainda não corresponde àquela que será dentro de algumas semanas quando os mais de 3000 estudantes” estiverem na cidade.
Com a edificação da nova residência do politécnico, o problema da escassez de alojamento em “quantidade, qualidade e a preços acessíveis” estará em “vias de ser resolvido, de forma concreta e objetiva”, diz.
Texto Nélia Pedrosa
À semelhança do que se verifica noutras cidades com instituições de ensino superior, também os estudantes que ingressam no Instituto Politécnico de Beja deparam-se com dificuldades em encontrar alojamento. A presidente da associação académica diz que, por um lado, a oferta é pouca e, por outro, os preços praticados “são exorbitantes”.
Jorge Raposo, pró-presidente do IPBeja, sublinha que “as candidaturas a algumas fases do Concurso Nacional de Acesso e dos concursos locais ainda estão a decorrer”, pelo que “a pressão sobre o alojamento disponível em Beja ainda não corresponde àquela que será dentro de algumas semanas quando os mais de 3000 estudantes” estiverem na cidade. Com a edificação da nova residência do politécnico, o problema da escassez de alojamento em “quantidade, qualidade e a preços acessíveis” estará em “vias de ser resolvido, de forma concreta e objetiva”, diz.
No mesmo dia em que soube que tinha sido colocada no curso de solicitadoria no Instituto Politécnico de Beja (IPBeja), J. de 19 anos, natural do Algarve, começou a procurar alojamento via telefone, através de sítios eletrónicos específicos e de algumas colegas que iam “arranjando contactos”.
Uma tarefa que se revelou, no entanto, bastante complicada, adianta a jovem ao “Diário do Alentejo”, uma vez que “a maioria dos quartos já estava alugada”. Por isso, diz, “na primeira oportunidade, quando consegui um quarto disponível, fiquei logo com ele”.
J. partilha casa com três colegas – cada uma tem o seu quarto – e paga 200 euros por mês, “com as despesas de água, luz e gás incluídas”. O grande problema, admite, é que “fica longe” do IPBeja, “a 30 minutos a pé”. A solução passará por deslocar-se de transportes urbanos. Apesar de as condições do apartamento “serem boas” e de gostar muito das colegas, J. admite que no próximo ano letivo, “se conseguir arranjar um quarto mais perto” do politécnico, tentará mudar.
Depois de ter partilhado, durante o seu primeiro ano, um quarto numa das residências de estudantes do IPBeja, S., de 19 anos, decidiu começar a procurar, em finais de junho, um quarto individual, que lhe permitisse ter mais privacidade.
“Quanto entrei no ano passado, já na última fase, foi impossível encontrar casa e acabei por ficar na residência de estudantes por sorte. No final de junho, quando terminei o primeiro ano, comecei a procurar casa. Estive o verão inteiro à procura, mas também foi impossível porque não havia quartos em condições”.
A aluna do 2.º ano do curso de solicitadoria recorda que viu “quartos, com míseras condições, a 400 euros, longíssimo do politécnico, e quartos, a partilhar, a 250 euros, sem despesas incluídas”. S. acabou por conseguir um quarto individual no início do mês que agora termina, num apartamento com mais três pessoas, a pagar 150 euros, não incluindo despesas.
“Foi um colega que se lembrou de mim e disse que tinha um quarto disponível. É uma renda mais aceitável do que pagar 400 euros por um quarto na outra ponta da cidade. Fica a 10, 15 minutos do politécnico”.
Lígia Maldonado, presidente da Associação Académica do IPBeja, afirma que, à semelhança do que se verifica noutras instituições de ensino superior nacional, a situação do alojamento estudantil em Beja “é grave”. “Há muitos alunos do primeiro ano que tiveram muitas dificuldades em arranjar alojamento”.
Por um lado, diz, “existem poucas casas para arrendar, quer para estudantes, quer para não estudantes”, por outro, os preços praticados “são exorbitantes”. Há casos de proprietários a pedir “500 euros por uma divisão”, um valor elevado, se se tiver em conta “que os alunos têm ainda de pagar propinas, transporte e alimentação”, diz.
“Tem sido uma luta muito grande. Fomo-nos apercebendo disso através das iniciativas de praxe e tentámos ajudar sempre, o máximo possível, quem precisava urgentemente de casa, quer falando das residências escolares, quer procurando anúncios e estabelecendo contactos, muitos através das redes sociais”, conta, sublinhando que o cenário se irá gravar com a segunda fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, cujos resultados foram divulgados no passado dia 30.
A solução para o problema do alojamento estudantil, considera Lígia Maldonado, passará por aumentar a capacidade das residências estudantis existentes e por promover a divulgação de alojamentos privados, quer através “das redes sociais, quer da afixação de anúncios em restaurantes, cafés e mesmo no IPBeja”.
NOVA RESIDÊNCIA DO IPBEJA CONTRIBUIRÁ PARA A RESOLUÇÃO DO PROBLEMA
A “necessidade de alojamento estudantil para estudantes do ensino superior em quantidade, qualidade e a preços acessíveis”, conforme é referido pelo Programa Nacional Para o Alojamento no Ensino Superior (Pnaes), diz Jorge Raposo, pró-presidente incumbido de coordenar a implementação do projeto e de acompanhar a obra de construção do edifico da nova residência estudantil do lPBeja, é “uma matéria” que preocupa a instituição, sendo que, “desde o primeiro momento da tomada de posse da atual presidência”, foram mobilizados “os nossos melhores recursos para a resolver”.
Neste momento, adianta o responsável, “conforme é do conhecimento geral, é de facto um problema com o qual todas as instituições de ensino superior do País se estão a debater. Nós, em Beja, não somos exceção”.
Jorge Raposo sublinha que “as candidaturas a algumas fases do Concurso Nacional de Acesso e dos concursos locais ainda estão a decorrer”, pelo que “a pressão sobre o alojamento disponível em Beja ainda não corresponde àquela que será dentro de algumas semanas quando os mais de 3000 estudantes do IPBeja cá estiverem”.
“De facto, da análise que vamos fazendo, neste momento não há facilidade de alojamento em Beja em ‘quantidade, qualidade e a preços acessíveis’. Esse é o nosso foco quando justificámos perante um painel de alto nível a necessidade de uma residência com 503 camas”, reforça, frisando que os serviços de Acção Social do politécnico “acompanham de forma muito próxima os estudantes com o objetivo de resolver possíveis casos de alunos deslocados que ainda não conseguiram alojamento”.
Recorde-se que a candidatura do IPBeja para a construção de uma nova residência estudantil, apresentada em parceria com a câmara municipal, foi aprovada pelo Pnaes no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
A construção da nova residência, num terreno cedido pela autarquia, situado perto do campus e contíguo à Escola Superior de Tecnologia e Gestão, vai ter um financiamento de 16,5 milhões de euros, a executar até 2026. A assinatura do contrato do financiamento com a Agência Erasmus decorreu no passado dia 16.
Segundo Jorge Raposo, trata-se do “maior projeto de construção de uma residência estudantil no âmbito deste programa”. Com a edificação da nova residência, o problema da escassez de alojamento em “quantidade, qualidade e a preços acessíveis” está em “vias de ser resolvido, de forma concreta e objetiva”, afirma.
“Se, naturalmente, continuarmos a contar com a iniciativa privada de proprietários que afetam unidades de alojamento ao alojamento estudantil, que se juntam às 399 camas que o IPBeja oferece nas suas atuais seis residências, muito em breve, com o financiamento que dispomos para a construção da nova residência com 503 camas, vamos dar um contributo determinante para a resolução deste problema”, reforça o pró-presidente, sublinhando que constatam “que a pressão sobre o alojamento estudantil tem vindo a aumentar um pouco por todos o País pelo facto de assistirmos à afetação de unidades de alojamento a segmentos de mercado, como, por exemplo, o alojamento local ou o arrendamento de longa duração”, fenómenos verificados “um pouco por todo o País”, sendo que “esta pressão acaba por se traduzir em preços mais elevados”.
De acordo com o último relatório mensal do “Alfredo Student – Observatório do Alojamento Estudantil”, que analisa a oferta de alojamento privado a partir da monitorização de mais de 100 mil anúncios de quartos e apartamentos destinados a estudantes, no dia 2 deste mês o preço médio por quarto em Beja fixava-se nos 178 euros, o máximo nos 245 euros e, o mínimo, nos 150 euros.
Ainda segundo os mesmos dados, a média nacional situava-se nos 294 euros, apresentando Lisboa o valor médio mais elevado – 381 euros – e Guarda o mais baixo – 125 euros. O mesmo relatório refere que, na mesma data, havia 16 quartos disponíveis para alugar em Beja.
Em setembro do ano passado, o preço médio do quarto em Beja situava-se nos 176 euros, o máximo nos 247 euros, e, o mínimo, nos 123 euros. A média nacional era de 268 euros.
Jorge Raposo sublinha que “se trata, naturalmente, de valores médios”, e que a essas despesas de alojamento dos estudantes deslocados “somam-se as despesas com transporte”, mais “uma das razões” que levam o politécnico “a desenvolver todos os esforços” para conseguir construir “uma nova residência estudantil que irá permitir sermos mais atrativos para jovens que queriam estudar em Beja”.
RESIDÊNCIAS NÃO DÃO RESPOSTA A TODOS OS PEDIDOS DE ALOJAMENTO
De acordo com o pró-presidente, devido “à qualidade, preço e oferta de serviços” disponibilizados pelas atuais seis residências do IPBeja, “é natural que sejam muito procuradas”, pelo que se tivessem “mais camas disponíveis elas seriam procuradas pelos alunos”. O responsável reforça, no entanto, que os serviços de Ação Social “estão muito atentos” para darem “a melhor resposta às solicitações”.
Até ao momento, adianta Jorge Raposo, o número de candidaturas a alojamento nas residências do politécnico não regista “alterações substanciais” comparativamente ao verificado em igual período do passado ano letivo, “talvez ligeiramente superior, tendo em conta que a problemática do alojamento estudantil está muito mediatizada e, naturalmente, os estudantes e as suas famílias à cautela procuram as nossas residências”.
Podem apresentar candidaturas às residências do IPBeja, através de formulário próprio, os estudantes bolseiros deslocados do ensino superior e estudantes deslocados, nacionais ou estrangeiros, incluindo estudantes no âmbito de programas de mobilidade internacional, por exemplo, programa “Erasmus+”.
“Supletivamente, podem ser candidatos investigadores, docentes e não docentes de instituições de ensino superior, designadamente, em mobilidade nacional ou internacional”, acrescenta o responsável, adiantando que “a atribuição das bolsas respeita as normas do regulamento interno, sendo atribuída condição prioritária aos estudantes bolseiros com rendimento per capita mais baixo”.
Por norma, “todos os anos muitos dos pedidos de alojamento” nas residências do IPBeja “acabam por ficar em lista de espera”. “Naturalmente este facto foi decisivo para a nossa candidatura para a construção de uma nova residência com 503 camas. E sublinhamos que tal nos irá permitir um rácio bastante interessante entre o número de alunos do IPBeja e as camas nas nossas residências estudantis”.
Jorge Raposo acrescenta que ao nível do ensino superior é comum as instituições disponibilizarem camas/quartos para docentes e investigadores visitantes. Mas tal não tem sido possível no IPBeja, dado que tentam “oferecer o máximo de camas disponíveis para os nossos estudantes”.
NOVA RESIDÊNCIA PERMITIRÁ ATRAIR ESTUDANTES "DE DIFERENTES LATITUDES"
A construção da nova residência estudantil do IPBeja representa, segundo Jorge Raposo, “um investimento absolutamente estruturante para a capacidade” do politécnico e “da própria cidade para atrair estudantes de diferentes latitudes”.
“Muitas vezes falamos na capacidade de atração, de diferenciação da cidade e do IPBeja para atraírem estudantes para aqui frequentarem um curso de ensino superior. E sabemos que tal não é fácil. Mas esse desiderato é absolutamente fundamental, pois debatemo-nos com problemas demográficos que nos obrigam a captar estudantes em todo o País e a nível internacional. Para o fazermos, precisamos de dar resposta à necessidade de oferecer alojamento em quantidade, qualidade e a um preço acessível. E a residência é uma resposta direta a essa necessidade”.
Por outro lado, acrescenta, “o IPBeja e a cidade localizam-se num território de baixa densidade, que, apesar dos esforços das comunidades intermunicipais, não dispõe de transportes públicos que permitam aos estudantes fazerem um movimento pendular entre a residência oficial e a instituição de ensino superior”, ao contrário do que acontece, por exemplo, nas instituições de ensino superior em Lisboa, em que “há dezenas de milhares de jovens que vão dormir diariamente a casa”.
A um nível mais interno, diz ainda, a nova residência “irá permitir ganhos de escala ao nível da sua gestão e manutenção, bem como ao nível da sua eficiência energética”.
A um outro nível, “é, também, para o IPBeja, sinónimo daquilo que é possível conseguir para a região quando trabalhamos em parceria, reconhecendo que o IPBeja, enquanto instituição de ensino superior, é um ativo extraordinário quando sabemos a importância que a formação, investigação e a ciência têm para o desenvolvimento do País e da região”.