Diário do Alentejo

Daniel Martins, Ana Lourenço, João Machado e Eugénia Izaías triunfaram nos Trilhos do Vinho de Talha

06 de dezembro 2025 - 14:00
Os "abades" de Vila de Frades
Fotos | Firmino PaixãoFotos | Firmino Paixão

Ana Lourenço e Daniel Martins (CD Areias de São João) no trail sprint (16 quilómetros), Eugénia Izaías (Ffpum) e João Ramalho (Os Ingleses) no mini trail (10 quilómetros), foram os vencedores absolutos da sexta edição dos Trilhos do Vinho de Talha 2025, em Vila de Frades.

 

Texto | Firmino Paixão

 

Uma prova elogiada pelos participantes, quanto à qualidade da organização e à exigência dos percursos, de dificuldade média/alta, com a particularidade de mostrar o território da freguesia.

 

“Nunca tinha vindo a esta prova”, confessou Daniel Martins, atleta do Clube Desportivo Areias de São João (Albufeira), acrescentando: “Como amanhã é dia de trabalho na Base Aérea [N.º11 de Beja], aproveitei para vir aqui fazer um bom treino e saborear o almoço, com um bom vinho de talha”.

 

O piloto/instrutor da aeronave Epsilon T30 comentou ainda: “Um trail tem sempre as suas dificuldades, mas o Carlos Papacinza e o Cláudio Pica não apareceram hoje, por isso, corri mais tranquilo”. Mas deixou claro: “O percurso estava bem marcado, felicito a organização”.

 

Com as emoções da recente conquista da medalha de bronze nos campeonatos nacionais de corta- -mato, a odemirense Ana Lourenço confessou: “Todas as conquistas são muito emotivas, mas aquela, da medalha de bronze, foi muito emotiva pelo ambiente envolvente, numa atmosfera de campeonato nacional. Ouvir o nosso nome, entre as melhores, é qualquer coisa brutal e emocionante”. A também vencedora da edição anterior destes trilhos admitiu: “Esta prova já faz parte do meu calendário há alguns anos. Gostei muito dela, porque decorre em trilhos rápidos. É quase um misto entre estrada e trail. Estou feliz porque, hoje, mais uma vez, tive a felicidade de ganhar”.

 

“O percurso era muito corrido, com exceção daquela subida à ermida, o resto era muito rápido”, comentou Eugénia Izaías, de 63 anos, que vestia a camisola da Federação da Família para a Paz. “Já tinha vindo aqui no ano passado”, lembrou a vencedora do mini trail. O vencedor absoluto do mini trail foi um ilustre desconhecido. João Ramalho, lisboeta e atleta de Os Ingleses, correu aqui como individual, mas nota-se que tem palmarés.

 

E fez notar: “A prova teve momentos difíceis. Não sabia o que iria encontrar pela frente, tentei manter o mesmo ritmo nas subidas, mas esta subida final até à meta também me apanhou um bocadinho de surpresa”. E contou: “Isolei-me cedo, com mais três ou quatro atletas, mas quando aconteceu a divisão dos percursos entre os 16 e os 10 quilómetros fiquei sozinho, geri a corrida e consegui este triunfo que me deixou muito feliz”. Multimédia0

 

A correr por fora esteve o autarca da freguesia, Diogo Conqueiro, que no final recordou: “Foi a sexta edição de uma prova desportiva em que pretendemos aliar, não apenas as vertentes de corrida e de caminhada, mas também aquilo que é o nosso património e a nossa paisagem e, claro, o nosso produto rei da ‘Capital do Vinho de Talha’ que é, precisamente, o nosso vinho de talha”.

 

O presidente da junta de freguesia adiantou ainda: “Nesta sexta edição conseguimos a maior participação de sempre, com mais de 500 pessoas inscritas entre a caminhada e as duas corridas de 10 e 16 quilómetros, portanto, pretendemos que as pessoas passem em Vila de Frades um dia bem vivido, um dia rodeado deste carisma que, no fundo, caracteriza quem é desportista, e pretendemos deixar esta sementinha, porque, embora queiramos estar no calendário regional das provas desportivas, desejamos que as pessoas, para além desta iniciativa, queiram vir ao nosso território mais vezes com as suas famílias e desfrutarem daquilo que é a ‘Capital do Vinho de Talha’”.

 

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Nomeadamente, trauteando que “os seus palhetes que são brilharetes”: “Já agora, uma nota, porque, no fim de semana, teremos mais uma edição da nossa Vitifrades. Durante algum tempo perdeu-se um bocadinho aquilo que era a tradição dos palhetes, as pessoas produziam vinho branco e vinho tinto, mas neste ano teremos mais de 20 vinhos palhetes no concurso da Vitifrades, que, como diz a música dos Filhos do Alentejo, ‘são de beber e chorar por mais’. E fica também o convite à participação, não só naquilo que é a Vitifrades e do que foi esta prova desportiva, porque realmente este território e esta localidade estão a ganhar uma dinâmica muito gira, e convidamos todos a virem conhecer Vila de Frades”.

 

Já agora, os quatro vencedores da prova serão os novos “abades” de Vila de Frades? “Sim, no fundo é esta forma de acolher que nós tentamos passar às pessoas, que quem vencer estas provas não leve apenas uma medalha de participação, uma taça ou uma garrafa de vinho, mas que possa levar um bocadinho de Vila de Frades e possa ser quase um embaixador desta terra e desta prova, que pretendemos que cresça de uma forma sustentável e possa manter a qualidade a que habituámos os participantes”, concluiu.

 

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