A Liga Nacional Jovem de Kayak Polo decorreu, no último fim de semana, na Piscina Municipal de Ferreira do Alentejo, com organização da associação Ferreira Activa – Movimento Associativo de Ferreira do Alentejo, sob tutela da Federação Portuguesa de Canoagem e apoios da Associação de Canoagem do Sul e do município de Ferreira do Alentejo.
Texto Firmino Paixão
A competição reuniu jovens praticantes nos escalões de sub/14, sub/16 e sub/21, numa oportunidade para que o selecionador nacional da modalidade pudesse descobrir talentos, simultaneamente com mais uma ação de promoção de uma modalidade que os dirigentes locais pretendem reimplantar neste distrito onde outrora existiram equipas, quer da Ferreira Activa, quer da Associação Pagaia Sul, na cidade de Beja. Um dos membros responsáveis por esta organização, em conjunto com José Diogo Branco, presidente da associação ferreirense, foi o atleta internacional bejense Pedro Mestre, atualmente radicado em Portimão. O antigo atleta da Pagaia Sul revelou ao “Diário do Alentejo” que esta etapa da Liga Nacional Jovem “foi uma ação dirigida aos escalões de formação”. “Paralelamente, fizemos uma mini poule de 3x3, uma iniciativa que está a ser criada pela comissão do kayak polo e pela Federação Portuguesa de Canoagem, que permite aos escalões mais novinhos jogarem num contexto mais reduzido, com uma bola mais pequena, de forma a tentarmos atrair mais atletas e que eles obtenham um maior crescimento”. A promoção da modalidade está naturalmente ancorada a estas ações descentralizadas, admitiu: “Isso é algo que também queremos fazer. O kayak polo cada vez tem menos clubes. Continua com um leque de equipas bastante alargado, com os clubes a fazerem duas e três equipas, mas a sustentação do kayak polo está fraca e nós pretendemos, através desta vertente do 3x3, juntar a rapaziada mais nova”. Simultaneamente, é também uma oportunidade para a deteção de talentos. “Daqui já conseguimos apurar alguns atletas para as seleções nacionais, porque esteve presente o selecionador nacional a observar os jogadores mais talentosos que estiveram por cá”. Outro dos focos será a congregação de vontades para que o regresso do kayak polo ao distrito de Beja seja uma realidade a curto prazo, admitiu Pedro Mestre. “Acreditamos que os antigos atletas da região possam sentir o estímulo para reativar a modalidade numa região onde, outrora, já existiram dois clubes a praticá-la. Estamos em contacto com o José Diogo, presidente da Associação Ferreira Activa, que também se mostra interessado na reativação deste desporto. Sei até que estão previstas algumas atividades aqui em Ferreira do Alentejo durante as férias da Páscoa, com grupos escolares, para que o kayak polo seja retomado nesta zona do Alentejo”. A própria Federação Portuguesa de Canoagem já revelou o apoio técnico a estas ações, recordámos. “Está marcada a vinda desse técnico para dinamizarmos a modalidade aqui em Ferreira do Alentejo, tentando estimular alguns miúdos que possam formar uma equipa, uma vez que o Ferreira Activa dispõe de todas as condições essenciais, nomeadamente, os equipamentos”. O próprio Pedro Mestre, enquanto atleta internacional, é, por si só, um exemplo da atratividade de um desporto coletivo aquático que está empenhado em se incrementar no Sul do País. “Neste momento ainda sou atleta da seleção nacional. Estive no último ano, em França, a disputar o Campeonato da Europa, sou treinador das equipas jovens do Clube Naval de Portimão e as coisas estão a correr muito bem com os meus miúdos. Temos um projeto bem consolidado, temos 19 atletas, trouxemo-los todos para participarem nesta Liga Jovem, distribuídos em quatro equipas. É um projeto que está a crescer e as previsões são de que esse crescimento possa ainda ser muito mais acentuado nos próximos anos”. No Algarve, sublinhou Pedro Mestre, a dinâmica é elevada, sobretudo, no concelho onde reside. “A cidade de Portimão é muito virada para o desporto e temos muitas atividades náuticas. Os miúdos estão muito próximos do clube, muito ligados à canoagem, à vela, ao windsurf, tentamos sempre cativar alguns para o kayak polo. Neste momento também estou a tentar dinamizar esta atividade em clubes próximos de Portimão, nomeadamente, no Clube Naval D. João II, em Alvor, e o Kayak Clube Os Castores do Arade, em Lagoa. Essa é a minha área de intervenção, apesar de poder sempre vir aqui a Ferreira do Alentejo ajudar o José Diogo, mas ali sei que consigo ajudar melhor, dada a proximidade”. Numa última ideia ficou a nota de que os clubes terão de fazer um investimento de certo modo elevado na aquisição de, pelo menos, oito kayaks, pagaias, saiotes, capacetes, bolas e balizas, existindo sempre a possibilidade de recurso a equipamento usado ou sob empréstimo, algo em que o próprio organismo federativo poderá ajudar. “Seria a concretização de um sonho voltar a dinamizar a modalidade aí por todo o lado no nosso Alentejo. Acreditamos que possa ser possível num futuro ainda algo distante”, completou Pedro Mestre.