Diário do Alentejo

Utentes da Linha do Alentejo alertam para situação atual da via

16 de agosto 2026 - 08:00
Petição do movimento “por uma ferrovia de qualidade” conta com mais de 6000 assinaturas

Dificuldades em marcar viagens através do Passe Ferroviário Verde, condições do material circulante e data da eletrificação do troço Casa Branca/Beja preocupam passageiros do serviço.

 

A Comissão de Utentes em Defesa da Linha do Alentejo (que liga Lisboa a Évora e Beja) reuniu-se, durante a última semana, com os presidentes das câmaras municipais de Beja, Alvito e Vendas Novas, para “dar a conhecer as principais preocupações” dos utilizadores “relativamente à situação atual [da referida via] e ao seu futuro”.Em comunicado enviado ao “Diário do Alentejo”, os utentes referem que, de entre os problemas identificados e expostos, destacam-se “o reduzido número de composições face ao aumento da procura provocado pela implementação” do Passe Ferroviário Verde e, consequentemente, “as dificuldades na marcação obrigatória de lugares, que frequentemente esgotam em poucos minutos”, assim como “os constantes atrasos, muitas vezes entre 45 minutos e uma hora e meia”.Paralelamente, a comissão alerta para a substituição da circulação de comboios intercidades “por material regional menos confortável e mais lento” e para a circulação, entre Beja e Casa Branca, de automotoras sem condições.“As automotoras que efetuam o percurso entre Beja e Casa Branca [fazem-no] com o ar condicionado avariado, mesmo durante os períodos de temperaturas superiores a 40 graus, colocando em causa o conforto, a segurança e a saúde dos passageiros”, explica.De acordo com o grupo de cidadãos, o “longo prazo previsto para a execução da obra” – atualmente apontado para “o período entre 2027 e 2033” –, e o “histórico de sucessivos atrasos e promessas em projetos ferroviários” causam “reservas” e uma atenção redobrada da situação.“Após 16 anos de reivindicações, os utentes esperam que os anúncios agora realizados se traduzam, finalmente, em obras concretas e numa melhoria efetiva do serviço ferroviário, sem novos adiamentos nem perda de diretos para quem diariamente depende do comboio”, alude.A comissão de utentes solicitou, também, uma reunião com a CP – Comboios de Portugal e com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, assim como com as câmaras municipais de Cuba e Évora, para “alargar este processo de auscultação e de defesa das reivindicações”. “A comissão de utentes considera que esta é uma reivindicação em defesa da qualidade de vida das populações, da coesão territorial e do desenvolvimento do Alentejo e da qual é obrigação do Governo, mais do que promessas, de facto assumir verbas, meios e prazos para a resolução deste problema, sem deixar de fora alternativas para os utentes deste meio de transporte durante a realização das obras”, assevera em nota.Paralelamente, continua a decorrer a petição “Por uma ferrovia de qualidade ao serviço da região Alentejo”, que conta já com mais de 6000 assinaturas, segundo a comissão de utentes, onde são reivindicadas medidas para melhorar o serviço ferroviário que é atualmente prestado no âmbito da Linha do Alentejo. “DA”

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