Diário do Alentejo

João Nunes, treinador do Mineiro Aljustrelense, já definiu a prioridade da época para o emblema tricolor

02 de agosto 2026 - 08:00
O “direito a sermos felizes”
Foto | Firmino PaixãoFoto | Firmino Paixão

O Sport Clube Mineiro Aljustrelense está de regresso ao Campeonato de Portugal, patamar onde não competia desde a época de 2020/2021. Neste novo ciclo, marcado pela presidência do advogado José Pinela Fernandes, o clube mineiro terá como principal meta a manutenção.

 

Texto Firmino Paixão

 

João Nunes, o técnico que, na época passada, trouxe os tricolores de regresso ao Campeonato de Portugal, mantém-se ao leme da “vagoneta” mineira. Trabalho e dedicação são as linhas orientadoras do seu percurso num clube onde, na última época, conquistou o Campeonato da 1.ª Divisão, a Taça Distrito de Beja e a Supertaça. Neste ano, assume o treinador: “Não será uma época fácil, não. Isto mudou muito desde a última presença do Mineiro no Campeonato de Portugal, que foi há seis anos. Desde então está muito mais complicado”.

 

Na época passada o Mineiro ganhou tudo o que havia para ganhar. Neste ano, no Campeonato de Portugal, correrá para que metas?

O primeiro objetivo é assegurarmos a manutenção. Conseguida essa meta, ao mesmo tempo estaremos a sonhar, a sonhar com algo mais. Sabemos a realidade do campeonato, o poderio das outras equipas e a experiência que trazem dos últimos anos neste patamar. Mas nós também temos direito a sermos felizes e tentaremos sê-lo. Mas, sendo realista, o primeiro objetivo é, realmente, a manutenção.

 

Considera que, uma vez assegurada essa meta, existe margem para o clube ir mais além?

Sim, existe essa margem. Tenho analisado o plantel e acho que ele se fará valer pelo seu todo, porque é uma equipa na verdadeira aceção da palavra. Os atletas têm trabalhado muito, têm estado muito unidos, em muito pouco tempo já formaram um grupo coeso e acho que essa será a nossa força, a força desta equipa, mais do que as suas individualidades.

 

O clube iniciou dois novos ciclos: o regresso ao Campeonato de Portugal e a eleição de uma nova equipa diretiva, que poderá ter feito algumas exigências?

A exigência que nos fizeram foi a de conseguirmos a manutenção. É uma direção que está a fazer as coisas bem-feitas, com calma e serenidade. Está a tentar perceber como é que nos pode dar a maior estabilidade, para que consigamos fazer uma época tranquila. E, neste sentido, esta direção tem estado a fazer um esforço enorme. E eu estou muito agradado com esse trabalho.

 

A tendência será a de que o clube possa ganhar mais estabilidade e aí a sua experiência no futebol será determinante?

Claro que sim. Temos conversado bastante e tenho partilhado a minha experiência noutros campeonatos e também a um nível mais profissional, mas eu sou treinador. Limito-me a dar um ou outro conselho, embora me questionem, muitas vezes, sobre se as suas decisões influenciam, ou não, as dinâmicas da equipa, mas, nesse aspeto, estou muito agradado, porque isso representa muita inteligência na gestão, na medida em que, tendo o clube num campeonato nacional e querendo ter uma estrutura mais profissionalizada, temos de ouvir quem está no terreno.

 

A massa associativa do Mineiro está sempre muito próxima do clube, mas também exige resultados…

Sim, o Mineiro tem, realmente, uma massa associativa bastante exigente. E isso é muito bom, porque conseguem colocar alguma pressão no grupo de trabalho e, confesso, gosto muito de sentir essa pressão. Por gostar dessa pressão é que eu sou treinador de futebol.

Tem um plantel mais competente do que o da época passada?

Bom, no ano passado fizemos história. Mas o futebol é um momento. O momento do campeonato distrital já é passado. Este é o momento de competirmos no Campeonato de Portugal. À primeira vista esta é uma equipa que me dá garantias. Falta ainda reforçá-la, mas isso é normal, não será só o Mineiro, todas as equipas estão sempre à procura de reforços, à procura dos melhores jogadores, e nós estamos a procurar jogadores para que possamos ser mais competitivos.

 

Saíram alguns jogadores, já vieram outros, identificou necessidade de ter várias opções para as diferentes posições?

Não saíram muitos. Alguns dos que saíram estavam na condição de “atletas não formados localmente” e tivemos de abrir espaço para outros. Conhecemos as nossas limitações financeiras em relação a outros clubes, não que tenhamos muitas limitações, temo-las, mas não é esse o principal problema. É uma questão que tentamos ultrapassar com muito trabalho. Fazendo o quê? Olhando para os jogadores estrangeiros como uma mais-valia para o nosso plantel, porque o jogador formado localmente é muito caro e nós somos um clube que não tem uma dimensão financeira assim tão grande como têm outros clubes do nosso campeonato, em que temos oito SAD (sociedades anónimas desportivas). Somos um clube humilde, mas muito cumpridor. Um clube com uma história enorme.

 

Os reforços foram escolhas suas? Sentiu-se condicionado pelo orçamento do clube?

Sim. Todos eles foram escolhas minhas. Foi o que a direção me permitiu fazer, dando-me essa liberdade para escolher jogadores, dentro daquilo que estava orçamentado. O nosso orçamento tem de ser sempre comparado com os orçamentos dos outros clubes e aí, sim, podemos dizer que o orçamento é limitativo em relação à capacidade de investimento dos outros clubes. Mas eu considero que isto não se faz só com dinheiro. Isto faz-se de rigor, de disciplina, de entrega, de muita vontade e de muita competência, e é isso que nós estamos a trabalhar. Claro que o dinheiro facilita, mas, sim, a realidade é que o nosso orçamento é menor do que o dos outros clubes.

 

Um dos atletas que saiu foi o capitão Rui Pirralho, um jogador muito querido da massa associativa. Os atletas da terra são um elo entre a equipa e a massa associativa…

Esse não é um problema exclusivo do Mineiro. É um problema da nossa região, da região do Baixo Alentejo. Se olharmos para aquela equipa de sonho do Mineiro Aljustrelense, há 17 anos, tinha três ou quatro jogadores da terra, não tinha mais. Mas eu considero que, depois de a bola começar a rolar, são todos do Mineiro, são todos de Aljustrel, e mesmo a massa adepta sentirá como seu o jogador que está a vestir a camisola do seu clube e apoiá-lo-á como se fosse da terra desde pequenino. Todos, sendo da terra, ou não, dão sempre o máximo pelo clube e isso é que importa, acho que o ser da terra é uma falsa questão.

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