Diário do Alentejo

Covid-19
Opinião

Covid-19

Luís Godinho, jornalista

17 de dezembro 2021 - 10:15

Fixemos um dia: 6 de dezembro, por exemplo. O relatório da Direção-Geral de Saúde da passada segunda-feira, 6 de dezembro, retratava (da forma a que já nos habituámos) a evolução da pandemia de covid-19: mais 2216 doentes confirmados a nível nacional, 948 doentes internados, dos quais 135 em cuidados intensivos.

Recuemos um ano, a 6 de dezembro de 2020, antes da vacinação: mais 3834 casos, 3268 doentes internados, dos quais 514 em cuidados intensivos. A clareza dos números demonstra a existência de muitos menos casos graves da doença, sendo que o número de doentes em cuidados intensivos é 75 por cento inferior ao de há um ano. Acresce que nessa altura o País vivia em estado de emergência, numa liberdade “controlada”, sem atividades culturais, sem público nos estádios, com restrições à circulação de pessoas entre concelhos, com lotação reduzida em lojas e restaurantes e até com o anúncio de recolher obrigatório para o período de Natal e de Ano Novo. Por essa altura, no “DA”, noticiávamos que o número de mortes por covid-19 na vasta área da Administração Regional de Saúde do Alentejo tinha aumentado 80 por cento em duas semanas, sendo preocupantes, e permanentes, as notícias sobre surtos em lares de terceira idade, sempre associados à existência de vítimas mortais.

O que mudou neste ano? A existência de vacinas, evidentemente. A prova de que a vacinação resulta está à vista de todos: não acabou com a pandemia, até porque têm surgido novas variantes em resultado de mutações do vírus, mas evitou a ocorrência de centenas, se não milhares, de casos graves e de mortes associadas à covid-19. A pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde é agora muito menor. As escolas estão a funcionar de forma (quase) normal, com o surgimento de casos pontuais, resolvidos com maior ou menor dificuldade.

O teletrabalho deixou de ser a regra. Ditas as boas notícias, não é por isso que devemos ficar menos vigilantes, menos cuidadosos na prevenção de contágios e menos disponíveis para o reforço de vacinação, que já se iniciou. O risco é que o índice de transmissibilidade da doença, o famoso R(t), que se encontra em fase decrescente, indicando que o pico da quinta vaga da pandemia já pode ter sido ultrapassado, volte a subir, obrigando à adoção de novas medidas para conter a propagação da doença, ainda que, admite-se, não tão restritivas quanto as do ano passado.

No caso do Alentejo, e de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Dr.º Ricardo Jorge, o R(t) anda agora pelo 1,09. Trazê-lo para baixo de 1,00 - o que representa um maior controlo das cadeias de transmissão, reduzindo o surgimento de novos casos - é uma tarefa que obriga cada um de nós a seguir comportamentos que minimizem os riscos de contágio, como o uso da máscara em espaços fechados, ou a redução de contactos sociais.

Num País como o nosso, com uma taxa de vacinação acima dos 85 por cento, é redundante discutir sequer a obrigatoriedade da vacinação, seja para adultos, seja para as crianças dos 5 aos 12 anos, cujo processo se irá agora iniciar. Não sendo obrigatória, ela é recomendável sempre aconselhada pelas autoridades de saúde.

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