Diário do Alentejo

A pandemia e as nossas fragilidades
Opinião

A pandemia e as nossas fragilidades

Manuel António do Rosário, padre

08 de fevereiro 2021 - 11:50

A Humanidade do século XXI está a escrever um dos seus piores capítulos, fruto da pandemia que se abateu sobre nós, e inundou o nosso quotidiano de incertezas, medos, provações e expectativas.

 

Pela sua omnipresença no universo informativo, é fácil concluir que ela fez emergir e agravou significativamente contradições e desigualdades do nosso mundo, e dos mundos que nele subsistem, pois, apesar das ondas de choque deste ‘tsunami’ atingirem todas as latitudes e longitudes, são sem dúvida os mais frágeis, pequenos e pobres, quem mais sofre. Infelizmente, são também estes que, na hora em que surgem as primeiras respostas, correm o risco de perder o comboio, por falta de recursos para a adquisição das vacinas e demais tratamentos, e de púlpitos onde a sua voz se faça ouvir.

 

Há, porém, sinais positivos que gostaria de assinalar:

 

1.º A mobilização, sem precedentes, de pessoas e recursos, num esforço ciclópico de investigação científica, sinal de que, para problemas globais, exigem-se e são possíveis, respostas globais;

 

2.º O alívio da pressão sobre o planeta azul, que parece ter voltado a respirar plenamente, depois de décadas de ofegante e voraz poluição, conduzida por uma ânsia descontrolada de ter e dominar;

 

3.º A generalização de gestos de profunda humanidade e solidariedade, bem reveladores daquilo que o ser humano é capaz, se, exercendo firmemente o discernimento, não se render ao mal.

 

A pandemia parece ter criado em nós uma maior consciência de interdependência: somos uma só família humana, que habita a mesma e única casa comum. Ela pode também constituir uma autêntica oportunidade para abandonarmos egoísmos, individualismos e nacionalismos, que só contribuem para abrir feridas, agudizar conflitos e empurrar a Humanidade para uma espécie de “terceira guerra mundial, aos pedaços”, como diz o Papa Francisco.

 

Há razões para continuar a acreditar no Homem, e na sua capacidade de se superar e de construir um amanhã melhor!

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