Diário do Alentejo

Rodrigo Martins, Associação Carpe Diem na Aldeia

27 de fevereiro 2020 - 10:25

Texto Nélia Pedrosa


A Associação Carpe Diem na Aldeia (Cabeça Gorda, Beja) levou ao Luxemburgo, em parceria com a Associação de Divulgação e Intervenção Educativa (ADIE), a terceira edição dos Patrimónios Imateriais. Que projeto é este?
Este projeto nasceu em 2017 no papel e 2018 teve a concretização prática. No entanto, é necessário recuar a 2006 quando a professora Sónia Candeias estagiou na Carpe Diem, porque é esta a base para que exista esta ligação. Sónia, que é presidente da ADIE, juntamente com a professora Carmen Alves, é a impulsionadora do projeto e da parceria. Os principais objetivos são compreender a importância do património imaterial português, nomeadamente, o cante alentejano e o fado; identificar e valorizar o património e a diversidade cultural portuguesa; identificar e divulgar instrumentos utilizados na música tradicional portuguesa e envolver a comunidade nas atividades desenvolvidas, começando pela comunidade portuguesa, mas trabalhando numa perspetiva intercultural. Importa realçar que a disciplina ministrada pelo Instituto Camões se chama língua e cultura portuguesa, tem alunos de outros países e que a comunidade portuguesa no Luxemburgo é essencialmente do centro e norte do País. Também por isto se entendeu, no caso do cante alentejano, traçar um caminho e tentar ter grupos que além do cante a vozes possam também ser grupos de música tradicional com cancioneiro alentejano.


Disse recentemente que o objetivo “de levar” ao Luxemburgo a língua e a cultura portuguesa “tem sido plenamente conseguido”. Em que medida?
O projeto tem dois momentos a cada ano, os Patrimónios Imateriais, em fevereiro, e um outro momento em maio, que aborda a oralidade, contos e histórias, o teatro e também outras expressões culturais. Havendo um momento alto em cada um dos projetos, em que a sala Festikus, em Soulevre, tem tido cerca de 600 pessoas, existe também um trabalho desenvolvido pelos professores ao longo do ano e temos tido também, turma a turma, a participação de vários artistas (Paulo Ribeiro, Celina da Piedade, Calma e Vento Sul, Luís Carmelo, Jorge Serafim, Luzia do Rosário e Fernando Pardal, Almandre, Jodicus, Daniela Helena, entre outros) que, para além de mostrarem e desmistificarem as suas artes e instrumentos, também preparam uma apresentação com as crianças e jovens no espetáculo principal. Uma das mudanças que se nota é que toda a comunidade já reconhece e se identifica com músicas e artistas que há três anos não conhecia. Ao mesmo tempo que a participação de outras comunidades é cada vez maior.


Nesta edição esteve em destaque o fado e o cante, com as atuações de Joana Vales e Mafalda Vasques e do grupo De Moda em Moda. Como é definido o programa para cada edição?
Uma das vertentes desta parceria é angariar financiamento para que os alunos possam vir a Lisboa [no final do ano letivo]. Nesse sentido, e além da qualidade artística, há também uma preocupação de que todos os artistas conheçam e se identifiquem com o projeto. Não há, para já, nada confirmado para o próximo ano. Aquilo que podemos já adiantar é que em junho um dos projetos que vai lá estar são as marionetes dos Jodicus.

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