Não foi por Beja que António Costa não alcançou a maioria absoluta nas Legislativas de outubro. Pedro do Carmo conclui o seu mandato enquanto presidente da Federação do Partido Socialista do Baixo Alentejo com uma dupla vitória: o PS reforçou a condição de partido mais votado (agora com 18 pontos percentuais à frente da CDU) e conseguiu eleger dois deputados, deixando o PSD/Beja fora do parlamento. No momento do balanço, poucos dias depois das Legislativas, Pedro do Carmo classificava os resultados como uma “grande vitória eleitoral” pois, sublinhava, o PS “ganhou em todos os concelhos do Baixo Alentejo, num sinal político de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido e de confiança na continuação do caminho iniciado em 2015”.
O PS/Beja passou assim a ter dois deputados na Assembleia da República (Pedro do Carmo e Telma Guerreiro) o que, segundo o dirigente socialista, vem “acrescentar capacidade de trabalho, sintonia com o território e determinação na defesa da nossa terra ao esforço desenvolvido pelos autarcas socialistas da maioria dos municípios do Baixo Alentejo”. Iniciada a sessão legislativa, acabaria eleito presidente da Comissão Parlamentar da Agricultura e do Mar, “duas importantes áreas de expressão do enorme potencial do País”.
Antes das Legislativas houve eleições europeias e nem o facto de o cabeça de lista do PS ser o antigo ministro das Infraestruturas, Pedro Marques, acusado de ter “metido na gaveta” alguns dos projetos estruturantes para a região, como a reabertura da A26 ou a eletrificação da linha entre Casa Branca e Beja, impediu a vitória clara do PS no distrito, com 36,6 por cento dos votos.
Por razões estatutárias, Pedro do Carmo não pode concorrer a um novo mandato à presidência da Federação do Baixo Alentejo. Hélder Guerreiro (vogal executivo do Alentejo 2020 e ex-vice-presidente da Câmara Municipal de Odemira) e Nelson Brito (presidente da Câmara Municipal de Aljustrel e do Conselho da Região) já anunciaram a candidatura à sucessão do atual presidente.
OUTROS DESTAQUES
PSD PERDE DEPUTADO E VIVE DIAS CONTURBADOS
No PSD/Beja, 2019 começa com forte turbulência interna – com Marciano Lopes a acusar Gonçalo Valente, entretanto eleito presidente da distrital, de “falta de transparência” devido a um alegado pagamento massivo de quotas na concelhia de Ourique – e termina no mesmo tom, com o ex-presidente, João Guerreiro, a pedir a demissão do seu sucessor: “[Se] a sua estratégia falhou, por que razão faltando à palavra dada não veio o presidente da distrital assumir a sua responsabilidade perante o partido e os eleitores?”. Pelo meio aconteceu o que, em fevereiro, Gonçalo Valente considerava impensável: “Não nos passa pela cabeça perder o deputado que elegemos (…) se já temos pouca expressão, e uma voz diminuta, perdendo essa voz ficamos sem nada”. Nas Legislativas de outubro o PSD perdeu mesmo o deputado por Beja, tendo apresentado como cabeça de lista um jovem empresário agrícola, Henrique Silvestre Ferreira, escolha pessoal de Rui Rio, depois de a distrital ter feito seguir para Lisboa uma proposta de lista encabeçada por Inês Guerreiro. Em defesa do líder da distrital está o facto de a votação nacional dos social-democratas não ter ido além dos 27,7 por cento dos votos, de não existido uma coligação com o CDS, ao contrário do que aconteceu em 2015, e de se ter verificado uma multiplicação de candidaturas à direita: Aliança (o partido fundado por Pedro Santana Lopes), Iniciativa Liberal e, sobretudo, o Chega, de André Ventura, que conseguiu no círculo eleitoral de Beja uma votação ligeiramente superior a dois por cento, muito acima do resultado nacional. O próximo ano começará com a disputa pela liderança nacional do PSD, à qual se apresentam três candidatos: Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz.
LUÍS DARGENT DEMITE-SE DA LIDERANÇA DO CDS
O histórico presidente da Comissão Política Distrital do CDS-PP, Luís Dargent, apresentou a sua demissão do cargo a seguir às eleições legislativas de outubro. Em declarações ao “Diário do Alentejo” disse que permanece no cargo até ao próximo congresso, marcado para dias 25 e 26 de janeiro, em Aveiro, a pedido de Assunção Cristas, também ela demissionária de presidente do CDS na sequência do mau resultado do partido nas Legislativas. Questionado acerca das razões que o levou a tomar esta decisão, Luís Dargent justificou-se com os maus resultados eleitorais – o CDS-PP obteve 2,3 por cento a nível distrital – e com a necessidade “de dar lugar à juventude num partido que precisa de renovação”. Acompanhando a tendência nacional, nas Legislativas o CDS acumulou perdas consideráveis em todos os municípios da região. A última vez que tinha ido a eleições, sozinho, no distrito de Beja o CDS obteve 5462 votos. Foi em 2011. Agora ficou-se pelos 1480 votos, apenas ligeiramente superior à votação do Chega, partido de extrema-direita que nalguns municípios, como Beja, conseguiu alcançar o quinto lugar e noutros, como Alvito ou Moura, obteve resultados bastante acima dos centristas. Com o congresso nacional marcado para dias 25 e 26 de janeiro do próximo ano, e já com duas candidaturas apresentadas à presidência do CDS – numa eleição, à partida, dividida entre João Almeida e Francisco Rodrigues dos Santos – só nessa altura se deverão conhecer os candidatos à sucessão de Dargent na distrital de Beja.