Diário do Alentejo

Ulsba desmente denúncia da Ordem dos Enfermeiros

06 de agosto 2019 - 10:00

A urgência do hospital de Beja está a funcionar nos últimos dias com um enfermeiro para cada 20 doentes críticos, quatro vezes mais doentes do que o recomendado, denunciou a Ordem dos Enfermeiros. A Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (Ulsba), porém, reagiu, em comunicado, e diz que “não corresponde à verdade”.

 

A bastonária Ana Rita Cavaco esteve no fim de semana passado no hospital de Beja e constatou que os enfermeiros estão “numa situação de exaustão”, por falta de profissionais, chegando a trabalhar 16 horas seguidas e a cumprir 70 horas de trabalho semanal, quando os horários deveriam ser de 35 horas.


“Na urgência de Beja havia um enfermeiro para 20 doentes críticos em serviço de observação. O rácio correto é de um enfermeiro para quatro doentes”, relatou à agência Lusa a bastonária.


A Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (Ulsba), após estas declarações, reagiu, em comunicado, e disse: “Não corresponde à verdade” e “a Ulsba não teve conhecimento de qualquer visita institucional por parte da Ordem dos Enfermeiros no passado fim de semana”.


No período em causa, referido pela bastonária dos enfermeiros, de acordo com a Ulsba, “no turno entre as 00:00 e as 08:00 horas estavam de serviço oito enfermeiros para 25 doentes admitidos, com cinco adultos e mais duas crianças/jovens em serviço de observação. No turno entre as 08:00 e as 16:00 horas estavam de serviço 11 enfermeiros para 65 doentes admitidos, com quatro adultos e mais uma criança/jovem em serviço de observação. E no turno entre as 16:00 horas e as 00:00 horas estavam de serviço 11 enfermeiros para 51 doentes admitidos, com cinco adultos em serviço de observação”.


A Ordem, no entanto, disse que detetou ainda profissionais com 59 folgas por gozar só no período deste verão e enfermeiros que fazem “consecutivamente 16 horas seguidas”, entrando às 08:00 horas e saindo à meia-noite.


“É uma equipa extremamente cansada e com muitos atestados [baixas] por exaustão. Os enfermeiros estão numa situação de sobrecarga horária e Beja é o exemplo mais recente. Não trabalham só 35 horas por semana, trabalham 70 horas e por vezes mais”, lamentou Ana Rita Cavaco.


“Os processos relativos à substituição temporária ou definitiva no ano de 2019 têm sido todos respondidos estando concluídos ou em curso”, afirma a Ulsba. Que diz ainda que “no âmbito da contratação de profissionais para os hospitais, agora autorizada pelo Governo, a ULSBA irá ver reforçados os seus quadros em cerca de 40 profissionais, sendo 10 para a área de enfermagem, o que permitirá equilibrar as necessidades decorrentes da passagem das 40 para as 35 horas semanais.”


Recorde-se que o Governo anunciou, na segunda-feira, dia 5, que autorizou a contratação de mais de 550 enfermeiros para os hospitais do Serviço Nacional de Saúde, de forma a cobrir as necessidades da passagem, há um ano, das 40 para as 35 horas de trabalho semanais dos profissionais de enfermagem.


Contudo, a Ordem dos Enfermeiros já veio considerar que este número é claramente insuficiente e que nem sequer acaba por cobrir os 700 enfermeiros que ficaram por contratar há um ano, quando em julho de 2018 se deu a segunda passagem ao regime das 35 horas.


“Apesar de alguns constrangimentos, ao nível dos recursos humanos, a Ulsba reconhece e enaltece a importância que os colaboradores têm tido na resposta assistencial”, concluiu.

 

 

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