“Foi isto tudo que nos levou a atuar neste sentido, [porque] queremos devolver o mínimo de segurança à cadeia. Nós apresentámos uma proposta à senhora diretora [e] os representantes do sindicato localmente tiveram uma reunião onde lhes foi dito que [esta] não aceitava, [sendo] que existiam propostas que eram exequíveis”, sublinha.De entre as medidas apresentadas, o documento propunha uma separação dos reclusos ativos ou que já têm saídas precárias dos reclusos inativos em pavilhões diferentes para que exista um maior controlo e uma redução do tempo de pátio dos mesmos.“O que nos preocupa é que se dá mais valor ao cante alentejano e em que se tiram guardas para levar reclusos para [atuações] em Vila Viçosa ou à Casa do Alentejo, em Lisboa, e se deixe a cadeia sem guardas prisionais, só com os mínimos dos mínimos”, afirma o presidente.
Guardas prisionais entram novamente em greve
Desta forma, Frederico Morais confirma ao “DA” que no plenário, que decorreu na quarta-feira, dia 26, em Beja, foi votada a necessidade de se regressar “à greve das horas extra” a partir de segunda-feira, dia 1 de dezembro, e, posteriormente, a uma greve geral a começar no dia 16. “Se não há vontade da direção da cadeia em negociar nós voltamos ao mesmo. A diretora não quer saber, o chefe da cadeira também não quer saber, não se preocupam com os seus homens e nós não podemos deixar os guardas desprotegidos”, adianta.O referido protesto, segundo Frederico Morais, passará por “limitar as atividades dos reclusos”, assumindo, assim, apenas os serviços mínimos, isto é, “não irá haver cante alentejano”, “as saídas ao exterior do recluso serão só em caso destes terem a sua vida em perigo ou para tratamentos para a tuberculose, hepatite, sida ou covid”, assim como “as saídas ao exterior para os tribunais só serão realizadas aquelas em que haverá alteração da medida de coação”. “Terão acesso à higiene, à saúde e à alimentação, mas estarão fechados 22 horas por dia”, assegura.Questionado quanto ao término da greve, o presidente do sindicato é perentório e afirma que a mesma terminará “quando as soluções tiverem em prática” ou caso exista “movimentação dos diretores”. “Não havia necessidade nenhuma de fazer uma greve por segurança. Costumo dizer que devíamos estar a fazer greves para reivindicar os nossos direitos como trabalhadores para as promoções nas carreiras [ou] na parte dos vencimentos, [mas] estamos a fazer greve para garantir a segurança das cadeias. Por incrível que pareça é isto que neste momento está a acontecer”, afirma. O “Diário do Alentejo” tentou obter esclarecimentos por parte da direção do Estabelecimento Prisional de Beja, nomeadamente, através da sua diretora, Adélia da Palma, não tendo, no entanto, recebido qualquer resposta até ao fecho da presente edição.