Diário do Alentejo

Crónica de Né Esparteiro: "O Velho e O Mar"

18 de abril 2020 - 16:00

Procurei na estante um livro para ler, nestes dias em que estamos limitados ao nosso espaço familiar, respeitando as medidas impostas pelo estado de emergência. A minha tia, uma senhora com uns respeitáveis 85 anos, vive sozinha num pequeno apartamento. Até à chegada da covid-19, duas senhoras de um lar de idosos prestavam-lhe assistência domiciliária, com as refeições, a limpeza da casa, a higiene pessoal. 

 

Quando foi decretado o estado de emergência, a minha tia tomou uma decisão: prescindiu da ajuda diária para o que não era estritamente necessário e ainda conseguia valer-se a si mesma, e ficou em casa, com a televisão, o seu telemóvel e o seu tablet. Felizmente, não é infoexcluída e, apesar das dificuldades na visão, consegue manter-se em contacto com a família e amigos recorrendo às novas formas de comunicação. Na semana passada, aprendeu mesmo a receber e efetuar chamadas telefónicas com imagem, o que a mantém mais perto dos que lhe são queridos. 

 

E foi a pensar na minha tia que selecionei da estante um pequeno livro que há muitos anos ela me tinha recomendado, O Velho e o Mar, um romance-poema do escritor americano Ernest Hemingway, que lhe valeu o prémio Pulitzer, em 1953. Ernest Hemingway foi galardoado com o prémio Nobel da Literatura um ano mais tarde, em 1954, e O Velho e o Mar sem dúvida que contribuiu para esse reconhecimento de excelência, a par com outros dos seus romances como Por Quem os Sinos Dobram, Fiesta ou O Adeus às Armas

 

A história de amizade entre o velho pescador cubano Santiago e o rapaz que o acompanhou na pesca desde os seus tenros cinco anos e que, mesmo após o pai não lhe permitir mais acompanhar o velho pescador na sua faina devido à má sorte que parecia persegui-lo – oitenta e quatro dias sem nada pescar! – lhe continua a prestar a sua amizade, ajudando-o “a trazer as linhas arrumadas ou o croque e o arpão e a vela enrolada no mastro”. Mas, um dia, a sorte do velho muda, e o isco é mordido por um peixe enorme, que o vai arrastando para o alto mar, longe, cada vez mais longe... “É maravilhoso e estranho, e quem sabe como será velho, pensou. Nunca apanhei um peixe tão forte, nem que se portasse tão estranhamente”. E a história continua...

 

Nestes tempos de confinamento – que vão continuar – aproveitem para ouvir música, ver / rever a série favorita, conviver virtualmente com a família e amigos.  E, obviamente, ir buscar à estante algum livro esquecido! Boas leituras!

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